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Ceará Notícias > Blog > Esporte > Tom Tático: 100% após volta do futebol, Ceni tem o grupo do Fortaleza nas mãos e isso é trunfo
Esporte

Tom Tático: 100% após volta do futebol, Ceni tem o grupo do Fortaleza nas mãos e isso é trunfo

Ultima atualização: 23/07/2020 6:02 PM
Redação
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9 Min. de Leitura
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O que esconde o futebol por trás dos bons resultados? Há inúmeros aspectos a serem discutidos, especulações e entrelinhas. O sucesso é moldado por derrotas, vaias, “corda bamba” e desgastes. Rogério Ceni foi chamado de “burro” pelo torcedor em 2018, após perder o estadual para Ceará, sem um modelo de jogo aparentemente definido e mudanças constantes para escalar o time titular. O treinador ficou próximo de ter o trabalho interrompido após pressões internas na época, mas sustentado pelo presidente Marcelo Paz. Decisão difícil, mas impulsionada pela palavra prometida ainda em 2017, firmada na prática e com resultados conquistados difíceis de imaginar.

Ceni tem 129 jogos

  • 73 vitórias
  • 24 empates
  • 32 derrotas

O Fortaleza cresceu nos últimos dois anos o que normalmente um clube leva mais para alcançar. O fator Rogério Ceni é o principal entre vários que proporcionaram esse momento, já que a evolução não está concluída. Ter um treinador que não apenas ‘treina’, mas que auxilia no desenvolvimento do clube, agindo como gestor é o diferencial nesta função. Parece clichê exaltar o trabalho do comandante, sobre a evolução desde 2018, os títulos conquistados, mentalidade vencedora, algumas vitórias seguidas, outros jogos invictos, mas é realmente surpreendente os resultados alcançados, principalmente se análise é feita de forma mais elaborada, buscando a raiz dos fatos. Quando tudo parecer clichê, Ceni ainda encontra uma maneira de surpreender.

“Chato” e vencedor

Expressão que mais o definiu ao longo da carreira como atleta e que acompanha como treinador. Mas é verdade? Não na essência, mas em alguns episódios de coletivas com a imprensa, já demonstrou impaciência em alguns momentos, quando a vitória não veio, sendo irônico ou sarcástico, mas são episódios isolados. O “chato” é definido pelo perfeccionismo do trabalho, talvez não entenda quem se acomoda com qualquer resultado ou não tenha senso crítico para buscar o melhor e alcançar o sucesso.

Nas contratações, é preciso ter o perfil técnico, tático e pessoal, cumprindo 100% da exigência de Rogério Ceni. Os atletas contratados, pedidos ou negociados, precisam ter aprovação literal do treinador tricolor e não há margem para ser contrariado. Em alguns casos, ele mesmo participa de forma direta da negociação, telefonando para jogador e estabelecendo contato prévio. A formação do time tem a exigência integral dele, por isso é demorada as contratações se confirmarem, já que o clube sempre trabalha de forma dedicada naquele momento, apenas uma peça, escolhida a dedo por Ceni, passando por todos os critérios e requisitos possíveis.

Gestão de grupo

Desde atleta sempre foi um líder por essência, como treinador, aprimorou a função. Por esse fator, o elenco formado precisa ter a escolha dele, pois busca o princípio nos atletas contratados: comprometimento. O discurso de Ceni em insistir que não “tem time titular” está direcionado ao tratamento de vestiário, onde busca tratar todos com o mesmo nível e capacidade de ostentar vaga na equipe principal. Exemplo disso está nas laterais da equipe, onde Tinga, Gabriel Dias, Bruno Melo e Carlinhos tiveram a maior rotatividade na equipe titular na campanha da Série A do ano passado.

Ele também agrega o conceito de base, para trabalhar todas as capacidades que um jogador pode desenvolver. Elevando o nível de atletas, como por exemplo, Romarinho, vaiado e hoje uma das principais referências técnicas dentro de campo. O volante Felipe ao lado de Juninho, são os protagonistas no meio campo do Fortaleza. Apesar de ter feito alguns jogos pelo Athlético-PR (seis), o goleiro Felipe Alves nunca havia disputado em alto nível uma Série A sendo titular absoluto e ficando entre os cinco goleiros mais eficientes da competição em defesas difíceis.

Rogério Ceni sempre teve uma característica clara de preservar a preparação física dos jogadores e ter o melhor à disposição. Nesta retomada, ele utilizou 24 jogadores, quatro escalações diferentes e algumas improvisações. Foram quatro vitórias em nove dias, onze gols feitos e apenas dois sofridos, além da marca de sete vitórias seguidas conquistada. Os jogadores acreditam em todos os passos do treinador com a equipe, o grupo é fechado, nas mãos. Exemplo disso é o pênalti cobrado por Ederson na vitória diante do América de Natal na última terça, o cobrador oficial é Wellington Paulista, que estava em campo e já tinha feito dois. Pelo momento de retorno após lesão no joelho que vive o Ederson e os gols perdidos na semifinal do Cearense, o centroavante abriu mão do pênalti para que o companheiro tivesse oportunidade de retomar a confiança. Além de fazer duas improvisações na lateral direita com Derley, depois Marlon e estes jogadores terem um comprometimento ainda maior em cumprir a função deslocada.

Exigência e comprometimento

É a maior aplicação ao elenco, independente de nome, história, carreira, gols, defesas e títulos. Se o jogador for o maior de todos os tempos, não tiver empenhado e focado no trabalho, fatalmente não jogará e provavelmente terá prazo curto no Fortaleza. Alan Mineiro foi uma negociação extremamente difícil pela diretoria tricolor, mas o clube conseguiu trazer o meia que chegou com status de principal contratação no retorno para Série B do Brasileiro, mas a dificuldade em seguir as exigências de Ceni sobre modelo de jogo, forma de atuar e intensidade dentro de campo tornaram a passagem mais curta. Inclusive após a perda do estadual, o torcedor passou ainda mais a pressionar utilização do Alan Mineiro. Acima do peso e sem o comprometimento para se adequar, acabou saindo do Fortaleza.

Para Série A, o Fortaleza apostou no retorno do meia Madson ao futebol brasileiro. Outra contratação com status de principal para retomada do clube a elite. Mesmo recebendo mais créditos e confiança do torcedor, havia em menor escala uma pressão para colocá-lo em campo. Ceni justificava com os mesmos critérios adotados para não utilização de Alan Mineiro, falta de intensidade e resumindo nas entrelinhas, comprometimento. A passagem de Madson foi ainda mais curta pelo Tricolor e colocou em evidência as exigências de Rogério, para justamente, neste momento, entendermos o que é ter de fato, o grupo nas mãos.

Outra característica clara é utilizar o goleiro como jogador de linha, obrigação em saber atuar com os pés. Marcelo Boeck é um dos maiores ídolos do clube na história recente, com acesso da Série C, título da Série B e da Copa do Nordeste. Mas as alternativas e buscas por evolução do time fizeram Felipe Alves se tornar titular incontestável do Fortaleza, sendo mais eficiente com os pés e principalmente, com as mãos. Boeck “‘estacionou” em 2018 e não evoluiu. Mesmo sendo um dos maiores ídolos do clube, qualidade técnica inquestionável (entre as traves) e identidade marcante no período de reconstrução do Fortaleza, hoje, Marcelo Boeck, por não ter aprimorado o jogo com os pés, ocupa o status de terceiro goleiro na equipe.

Ceni tem 129 jogos pelo Fortaleza, são 73 vitórias, 24 empates e 32 derrotas. Um aproveitamento de mais de 60%, com três títulos conquistados e campanha de destaque na Série A do Campeonato Brasileiro, terminando entre os dez melhores do Brasil. Os números conceituam uma marca registrada nessa ligação, mas igual qualquer outra, passível de desentendimentos, turbulências e desgastes. Mas o respeito pelo trabalho, conquistas e liderança mantém fortalecida essa relação entre jogadores e Rogério Ceni. É um trunfo manter o mesmo treinador pelo terceiro ano com a solidez de uma base vitoriosa./ge

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