Ele também agrega o conceito de base, para trabalhar todas as capacidades que um jogador pode desenvolver. Elevando o nível de atletas, como por exemplo, Romarinho, vaiado e hoje uma das principais referências técnicas dentro de campo. O volante Felipe ao lado de Juninho, são os protagonistas no meio campo do Fortaleza. Apesar de ter feito alguns jogos pelo Athlético-PR (seis), o goleiro Felipe Alves nunca havia disputado em alto nível uma Série A sendo titular absoluto e ficando entre os cinco goleiros mais eficientes da competição em defesas difíceis.
Rogério Ceni sempre teve uma característica clara de preservar a preparação física dos jogadores e ter o melhor à disposição. Nesta retomada, ele utilizou 24 jogadores, quatro escalações diferentes e algumas improvisações. Foram quatro vitórias em nove dias, onze gols feitos e apenas dois sofridos, além da marca de sete vitórias seguidas conquistada. Os jogadores acreditam em todos os passos do treinador com a equipe, o grupo é fechado, nas mãos. Exemplo disso é o pênalti cobrado por Ederson na vitória diante do América de Natal na última terça, o cobrador oficial é Wellington Paulista, que estava em campo e já tinha feito dois. Pelo momento de retorno após lesão no joelho que vive o Ederson e os gols perdidos na semifinal do Cearense, o centroavante abriu mão do pênalti para que o companheiro tivesse oportunidade de retomar a confiança. Além de fazer duas improvisações na lateral direita com Derley, depois Marlon e estes jogadores terem um comprometimento ainda maior em cumprir a função deslocada.
Exigência e comprometimento
É a maior aplicação ao elenco, independente de nome, história, carreira, gols, defesas e títulos. Se o jogador for o maior de todos os tempos, não tiver empenhado e focado no trabalho, fatalmente não jogará e provavelmente terá prazo curto no Fortaleza. Alan Mineiro foi uma negociação extremamente difícil pela diretoria tricolor, mas o clube conseguiu trazer o meia que chegou com status de principal contratação no retorno para Série B do Brasileiro, mas a dificuldade em seguir as exigências de Ceni sobre modelo de jogo, forma de atuar e intensidade dentro de campo tornaram a passagem mais curta. Inclusive após a perda do estadual, o torcedor passou ainda mais a pressionar utilização do Alan Mineiro. Acima do peso e sem o comprometimento para se adequar, acabou saindo do Fortaleza.
Para Série A, o Fortaleza apostou no retorno do meia Madson ao futebol brasileiro. Outra contratação com status de principal para retomada do clube a elite. Mesmo recebendo mais créditos e confiança do torcedor, havia em menor escala uma pressão para colocá-lo em campo. Ceni justificava com os mesmos critérios adotados para não utilização de Alan Mineiro, falta de intensidade e resumindo nas entrelinhas, comprometimento. A passagem de Madson foi ainda mais curta pelo Tricolor e colocou em evidência as exigências de Rogério, para justamente, neste momento, entendermos o que é ter de fato, o grupo nas mãos.
Outra característica clara é utilizar o goleiro como jogador de linha, obrigação em saber atuar com os pés. Marcelo Boeck é um dos maiores ídolos do clube na história recente, com acesso da Série C, título da Série B e da Copa do Nordeste. Mas as alternativas e buscas por evolução do time fizeram Felipe Alves se tornar titular incontestável do Fortaleza, sendo mais eficiente com os pés e principalmente, com as mãos. Boeck “‘estacionou” em 2018 e não evoluiu. Mesmo sendo um dos maiores ídolos do clube, qualidade técnica inquestionável (entre as traves) e identidade marcante no período de reconstrução do Fortaleza, hoje, Marcelo Boeck, por não ter aprimorado o jogo com os pés, ocupa o status de terceiro goleiro na equipe.
Ceni tem 129 jogos pelo Fortaleza, são 73 vitórias, 24 empates e 32 derrotas. Um aproveitamento de mais de 60%, com três títulos conquistados e campanha de destaque na Série A do Campeonato Brasileiro, terminando entre os dez melhores do Brasil. Os números conceituam uma marca registrada nessa ligação, mas igual qualquer outra, passível de desentendimentos, turbulências e desgastes. Mas o respeito pelo trabalho, conquistas e liderança mantém fortalecida essa relação entre jogadores e Rogério Ceni. É um trunfo manter o mesmo treinador pelo terceiro ano com a solidez de uma base vitoriosa./ge