Em entrevista recente ao jornal Estado de São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse que os líderes precisam se posicionar. Não existe campo político para quem fica em cima do muro e não tem posição definida.
A mídia cearense vem divulgando constantemente uma aproximação do senador Eunício Oliveira (MDB) com o governador Camilo Santana (PT). Lideranças do partido asseguram que existe uma aproximação muito grande com a base governista. É obvio que uma sintonia administrativa, leva a uma aliança política. A falta de definição do Senador Tasso Jereissati (PSDB), sobre sua postulação ao Palácio da Abolição, levou Eunício para os braços do governo. Enquanto a oposição assistia o governador Camilo Santana construir sua candidatura a reeleição, trabalhando e fazendo o nome pelo interior, ela ficou estagnada na escolha de seus nomes: aguardando uma confirmação de Tasso, na negativa deste, uma confirmação de Eunício e na desistência dos dois, a unção de Wagner (PR). Tarde demais para quem precisava ganhar tempo.
Capitão Wagner nem será candidato a governador e muito menos ao senado. Ele sabe que tem uma eleição garantida para Deputado Federal e não tem a menor necessidade de correr riscos. Wagner lembra muito bem da eleição do senador Tasso, quando foi levado pela onda Eunício-Pimentel/Pimentel e Eunício promovida pelos Ferreira Gomes. É bem verdade que vivemos em outro momento, contudo, a crise política e financeira do país, leva mais do que nunca a classe política ao caminho da prudência.
Por outro lado, Tasso Jereissati, já não tem mais a mesma disposição do “galeguim do zói azul” que tomou conta do Ceará e o transformou num fenômeno leitoral, chegando ao governo do Estado por três mandatos. Tasso, ainda tem mais quatro anos de senador e não precisa manchar sua carreira política com uma possível derrota, já perto do final de encerrar sua carreira. Tasso Jereissati é um dos grandes quadros da política nacional e também não precisa bater esteira para a elite paulista que toda vida castrou seu potencial político-administrativo em nível federal.
O Senador Eunício poderia ser o grande nome da oposição, chegou quase lá, na eleição passada, mas as investigações da Lava Jato, também o obrigaram a ser mais prudente. Garantir o mandato e o foro privilegiado é mas salutar que correr o de perder uma nova eleição para o governo.
A crise de violência instalada no Ceará também fragiliza o governador Camilo Santana, mas não se sabe até que ponto esse fator irá influenciar decisivamente no processo eleitoral. Caso ele consiga reverter esse quadro, o caminho da sua reeleição fica cada vez mais pavimentado.
Não podemos afirmar que Camilo será reeleito e muito menos que a oposição vai se reestruturar e se organizar neste curto espaço de tempo para lançar uma candidatura competitiva, mas dado o quadro do momento, Camilo está fortalecido e a oposição indefinida. O resultado a Deus pertence, mas, o primeiro passo a ser dado pela oposição seria seguir o conselho do ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso: ” os líderes precisam se posicionar”.
(Reginaldo Silva, Ceará Notícias)
(Foto – Mateus Dantas)





