Segundo a ginecologista Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a mudança também vale para quem já está com o dispositivo.
O Implanon é colocado sob a pele do braço e libera etonogestrel, um hormônio que atua principalmente inibindo a ovulação e tornando o muco cervical mais espesso, o que dificulta a passagem dos espermatozoides. Como não contém estrogênio, o método não traz riscos cardiovasculares ou de trombose.
A aprovação da Anvisa foi baseada em dados clínicos que demonstraram manutenção da eficácia e um perfil de segurança favorável no quarto e quinto anos de uso. No principal estudo apresentado à agência, não foram observadas gestações durante o período adicional.
Para as usuárias, a ampliação reduz a necessidade de passar pela retirada e colocação de outro implante e garante menor exposição hormonal. Para os serviços de saúde, pode representar economia e maior disponibilidade para atender novas pacientes.
“Essa extensão para cinco anos também tende a impactar a fila para novas usuárias, que devem ter acesso mais rápido ao método”, afirma Ilza.
Além da prevenção da gravidez, o método pode reduzir o sangramento menstrual, e algumas mulheres deixam de menstruar durante o uso. Segundo Ilza, ainda faltam evidências sobre como esse controle do sangramento se comporta com o passar dos anos. Uma mudança nesse padrão, porém, não deve ser confundida com perda da proteção contraceptiva.
“O retorno do padrão de sangramento uterino, se desfavorável, pode ser um fator para decisão sobre trocar ou não o Implanon após o terceiro ano”, explica. A decisão sobre quando substituir o implante também pode considerar o incômodo que ele eventualmente provoque.
Mudanças também após o parto ou aborto
A Anvisa autorizou a inserção imediata do dispositivo após o parto e abortos de primeiro ou segundo trimestre. A medida busca ampliar o acesso e reduzir o risco de gravidez não planejada entre mulheres que não retornam ao serviço de saúde depois da alta hospitalar.
“O momento pós-parto imediato, e até mesmo pós-aborto, é uma grande oportunidade para oferecer esse método efetivo e de longa duração”, afirma Ilza. Segundo ela, evitar uma nova gestação em um intervalo muito curto permite que a mulher se recupere da anterior, e também de problemas como deficiência de ferro e anemia.
A especialista afirma que os estudos já demonstraram segurança para a inserção logo após o parto, inclusive entre quem amamenta. “Não há impacto na amamentação e não compromete o desenvolvimento do recém-nascido”, diz.
Após um aborto, segundo Ilza, as orientações para o uso são as mesmas oferecidas às mulheres fora do período puerperal.
Como é a colocação e o que esperar depois?
O procedimento é realizado com anestesia local. Conforme a orientação da médica, após a inserção é feito um curativo compressivo por 24 horas, período em que se deve evitar carregar peso com o braço que recebeu o dispositivo.
Antes da colocação, é importante conversar sobre as mudanças que podem aparecer durante o uso. Dor de cabeça e sensibilidade nas mamas podem ser temporárias, enquanto alterações no sangramento menstrual podem persistir por mais tempo.
“No início, é comum que as usuárias apresentem escapes menstruais por vários dias, que vão cedendo na maioria dos casos com o passar dos meses”, explica Ilza.
O acompanhamento nesse período permite esclarecer dúvidas, avaliar sintomas e indicar tratamento quando necessário./AB






