Segundo o pesquisador, apesar de Flávio Bolsonaro (PL) ter se apresentado mais preparado e disciplinado do que no debate da Band no domingo (18), Lula saiu vencedor no confronto na Globo e voltou integralmente ao jogo, já o senador fluminense preservou sua competitividade, mas terminou em posição defensiva.
“[Lula] foi progressivamente melhor. Começou um pouco irritado, administrou mal o tempo e nem sempre respondeu diretamente. A partir do segundo bloco, porém, associou sua biografia às políticas sociais, fez Flávio admitir o erro na votação da licença-maternidade e pedir desculpas pelo ataque dos ‘nove dedos’, além de apresentar realizações concretas nas áreas de renda, crédito, educação e apostas”, afirmou Lavareda.
Segundo o cientista político, o momento mais forte do candidato do PT no debate ocorreu quando o presidente citou o caso Ana Clara, no qual o senador advogou para o policial militar suspeito de matá-la. “A pergunta sobre a defesa do policial acusado de atirar numa criança de cinco anos colocou Flávio claramente na defensiva. Lula combinou autoridade, experiência e proteção às vítimas.”
Lavareda analisou ainda que os melhores momentos de Flávio ocorreram quando senador tratou do preço de alimentos, endividamento, juros, segurança pública e retomada de territórios. O cientista afirmou que o candidato do PL conseguiu produzir frases simples e de fácil circulação nas redes.
“[Flávio Bolsonaro] perdeu força, entretanto, pelo excesso de bordões, por informações imprecisas, pela falta de detalhamento do ‘tesouraço’ e por manifestações de deboche. O pior momento foi o caso Ana Clara: errou o nome da mãe, demonstrou tensão e insistiu na inocência do policial que havia defendido”, destacou Lavareda.
O cientista político avaliou também o saldo eleitoral para as duas candidaturas em relação ao debate. Segundo Lavareda, a balança pesa positvamente para Lula, especialmente entre indecisos, mulheres e eleitores menos ideologizados “sensíveis a programas sociais e à proteção das vítimas.”
Segundo ainda o pesquisador, Flávio preservou sua base eleitoral, mas teria desperdiçado a oportunidade de ampliar sua vantagem.
“O debate pode produzir alguns décimos ou até cerca de um ponto de movimento. Isoladamente, porém, não permite afirmar que a eleição tenha virado: a cristalização das preferências e o diferencial de comparecimento continuam decisivos”, afirmou Lavareda.
Ele pondera, por outro lado, que o debate é uma “obra aberta”, na qual influirão os cortes nas redes e a divulgação pelas agências de checagem de quem falseou mais a verdade.
O embate foi o segundo encontro entre os dois candidatos, que não compareceram aos debates do primeiro turno. Empatados nas últimas pesquisas eleitorais, os dois buscaram atrair eleitores indecisos, com o senador tentando moderar o discurso e o presidente apostando no legado de sua gestão.
(Foto Fernando Frazão)






