Os dados do estudo de fase 3, com mais de 1.100 pacientes, também mostraram que a combinação reduziu em 38% o risco de disseminação do câncer.
Esses são os primeiros dados a mostrar que a combinação de uma vacina baseada em mutações específicas do tumor de cada paciente com um medicamento que ajuda o sistema imunológico a combater o câncer pode manter a doença sob controle. A vacina, conhecida como intismeran autogene, foi testada em conjunto com o Keytruda, imunoterápico de grande sucesso da Merck e um dos medicamentos mais vendidos do mundo.
A combinação intismeran/Keytruda já está sendo testada em vários outros tipos de câncer, incluindo os de rim, bexiga e pulmão.
As ações da Moderna dispararam desde que as empresas anunciaram, em agosto, o sucesso do estudo sem divulgar os dados propriamente ditos, quase quadruplicando de valor até o fechamento de quarta-feira (21). Os papéis encerraram o pregão com queda de mais de 17% depois que os resultados vazaram em um site de oncologia na manhã desta quinta. As ações da Merck fecharam em baixa de cerca de 1,8%.
Alguns analistas disseram que os dados podem gerar preocupações entre os investidores sobre a possibilidade de a tecnologia ser amplamente aplicável a outros tipos de câncer.
O Keytruda atua removendo um freio natural usado pelas células cancerígenas para se esconder do ataque do sistema imunológico, enquanto a vacina instrui as células do paciente a produzir cópias de mutações específicas para que o sistema imunológico as identifique e destrua.
O CEO da Moderna, Stephane Bancel, diz que os dados sinalizam um novo capítulo no tratamento do câncer.
“Com essa capacidade de criar novas células T específicas para o seu tumor… o impacto clínico é muito profundo e, como vimos no estudo de fase 2, muito duradouro”, diz.
As empresas estão se preparando para solicitar aprovação nos EUA e esperam lançar a vacina contra o câncer em 2027, afirmou Bancel.
Bancel diz acreditar que a vacina deverá aumentar a eficácia “em todos os casos em que o Keytruda funciona”, mas ainda não se sabe em que medida ela melhorará os resultados. O Keytruda é aprovado para 19 tipos de câncer.
O CEO também afirmou que o intismeran poderia funcionar de forma isolada como tratamento para cânceres em estágio inicial.
Os resultados do estudo de fase 3 sobre melanoma, baseados nos dados dos pacientes nos primeiros dois anos após o tratamento, deverão ser apresentados neste sábado (24), durante o ESMO 2026 (Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica), em Madri.
Entre os que receberam a vacina além do Keytruda, 82,2% continuavam livres do câncer após dois anos, ante 70% dos pacientes que receberam apenas Keytruda.
“Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não é obra do acaso”, diz sobre os resultados Hussein Tawbi, especialista em melanoma e pesquisador do estudo no MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas.
Vários analistas de Wall Street disseram antes do congresso que os investidores esperavam que a combinação reduzisse em 40% ou mais o risco de recidiva.
“Vemos diminuir o otimismo refletido nas avaliações de franquias multibilionárias de intismeran em toda a oncologia”, escreveu Trung Huynh, analista do RBC. “Esses dados nos deixam menos otimistas, já que o melanoma deveria ser o cenário mais favorável.”
O estudo testou nove doses da vacina em conjunto com o Keytruda, com início 13 semanas após a cirurgia para remover as lesões de melanoma. A resposta ao tratamento combinado foi comparada à dos pacientes tratados apenas com Keytruda, uma terapia padrão para melanoma./Folha SP
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