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Ceará Notícias > Blog > Ceará > Áudio enviado antes da morte reforça nova linha de investigação no caso Isabelle Caracristi
CearáDestaques

Áudio enviado antes da morte reforça nova linha de investigação no caso Isabelle Caracristi

Ultima atualização: 23/09/2026 10:11 AM
Redação
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6 Min. de Leitura
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A investigação sobre a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, ganhou novos contornos após a Polícia Civil do Ceará analisar mensagens recuperadas do celular da jovem, depoimentos de familiares e outros elementos reunidos no inquérito. O caso, inicialmente tratado como possível suicídio, passou a incluir a apuração de eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e violência psicológica, tendo como investigado o namorado da estudante, João Munhoz Neto.

Isabelle foi encontrada morta no dia 13 de setembro após cair do 23º andar do condomínio onde morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Segundo documentos da investigação divulgados pela imprensa, o material recuperado do celular aponta que a estudante relatava intenso sofrimento emocional e dizia sentir-se ameaçada, manipulada, pressionada, sobrecarregada e presa. Os investigadores apuram se o contexto do relacionamento teve participação no agravamento do estado emocional da jovem.

A extração dos dados do celular, danificado durante a queda, conseguiu recuperar apenas parte do conteúdo. A perícia identificou uma lacuna entre aproximadamente 2h e 20h40 do dia da morte. Esse intervalo é considerado importante porque pode conter comunicações, ligações ou outros registros capazes de ajudar a esclarecer as últimas horas de Isabelle.

Um dos elementos considerados relevantes é o relato de uma testemunha sobre um áudio de aproximadamente 16 minutos enviado pela estudante cerca de duas horas antes da morte. Segundo o depoimento, Isabelle teria relatado uma discussão com João e afirmado que estava sendo ameaçada. Ela também teria pedido que, caso algo acontecesse, o conteúdo fosse entregue à polícia e que o namorado fosse responsabilizado. O contexto e o alcance probatório dessa mensagem ainda são analisados pelos investigadores.

Outro depoimento relata um episódio ocorrido aproximadamente uma semana antes. Isabelle teria dito que não suportava mais o relacionamento e mencionado ciúmes excessivos e restrições em suas relações com colegas de trabalho. Durante a ligação, conforme a testemunha, a voz de João teria sido ouvida ao fundo determinando: “Desliga esse telefone, estou mandando”. A estudante também teria manifestado intenção de procurar a Justiça do Trabalho e feito alertas sobre o namorado.

A investigação analisa ainda a existência de uma câmera particular instalada na entrada do apartamento. Conforme os elementos do inquérito, o equipamento teria sido colocado por João na soleira da porta e retirado posteriormente. A polícia busca determinar quando ocorreu a retirada e se o dispositivo armazenava imagens que possam contribuir para esclarecer a rotina do casal e os acontecimentos anteriores à morte.

O comportamento de João e da mãe dele nas horas seguintes também integra a apuração. Segundo documentos da investigação, aproximadamente cinco horas depois da queda, por volta de 1h30 do dia 14 de setembro, os dois teriam deixado o apartamento levando malas, com auxílio de uma terceira pessoa. A polícia também apura informações de que teriam sido iniciadas providências relacionadas à desocupação e eventual venda do imóvel.

Essas circunstâncias aparecem entre os elementos analisados no pedido de prisão preventiva, principalmente diante da preocupação dos investigadores com a preservação de possíveis provas e com a instrução criminal. A Polícia Civil apura eventual supressão, ocultação ou destruição de elementos relacionados ao caso.

João Munhoz Neto foi preso preventivamente nesta terça-feira (22/9). A medida não representa uma condenação ou conclusão sobre sua responsabilidade pela morte. A audiência de custódia está prevista para esta quarta-feira (23/9), quando a Justiça deverá analisar a legalidade da prisão e decidir sobre a manutenção da medida cautelar.

O ponto central da investigação agora é determinar se a morte decorreu de uma decisão autônoma da estudante ou se houve alguma conduta de terceiros capaz de induzir, instigar ou auxiliar o ato. Para isso, a Polícia Civil cruza mensagens, áudios, depoimentos, imagens das câmeras de segurança, perícias e dados extraídos dos aparelhos eletrônicos.

João nega envolvimento na morte de Isabelle. A defesa sustenta que outras hipóteses para a queda não podem ser descartadas e contesta as suspeitas levantadas no decorrer da investigação. Caberá à Polícia Civil concluir o inquérito e, posteriormente, ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos e decidir sobre eventuais medidas na esfera criminal.

Com a prisão preventiva e a incorporação das novas provas ao inquérito, o caso entra em uma etapa decisiva de apuração. A investigação permanece aberta e ainda precisa responder à principal questão: o que efetivamente aconteceu nas últimas horas de vida de Isabelle Caracristi e se houve participação criminal de terceiros em sua morte.

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