Isabelle foi encontrada morta no dia 13 de setembro após cair do 23º andar do condomínio onde morava, no bairro Aldeota, em Fortaleza. Segundo documentos da investigação divulgados pela imprensa, o material recuperado do celular aponta que a estudante relatava intenso sofrimento emocional e dizia sentir-se ameaçada, manipulada, pressionada, sobrecarregada e presa. Os investigadores apuram se o contexto do relacionamento teve participação no agravamento do estado emocional da jovem.
A extração dos dados do celular, danificado durante a queda, conseguiu recuperar apenas parte do conteúdo. A perícia identificou uma lacuna entre aproximadamente 2h e 20h40 do dia da morte. Esse intervalo é considerado importante porque pode conter comunicações, ligações ou outros registros capazes de ajudar a esclarecer as últimas horas de Isabelle.
Um dos elementos considerados relevantes é o relato de uma testemunha sobre um áudio de aproximadamente 16 minutos enviado pela estudante cerca de duas horas antes da morte. Segundo o depoimento, Isabelle teria relatado uma discussão com João e afirmado que estava sendo ameaçada. Ela também teria pedido que, caso algo acontecesse, o conteúdo fosse entregue à polícia e que o namorado fosse responsabilizado. O contexto e o alcance probatório dessa mensagem ainda são analisados pelos investigadores.
Outro depoimento relata um episódio ocorrido aproximadamente uma semana antes. Isabelle teria dito que não suportava mais o relacionamento e mencionado ciúmes excessivos e restrições em suas relações com colegas de trabalho. Durante a ligação, conforme a testemunha, a voz de João teria sido ouvida ao fundo determinando: “Desliga esse telefone, estou mandando”. A estudante também teria manifestado intenção de procurar a Justiça do Trabalho e feito alertas sobre o namorado.
A investigação analisa ainda a existência de uma câmera particular instalada na entrada do apartamento. Conforme os elementos do inquérito, o equipamento teria sido colocado por João na soleira da porta e retirado posteriormente. A polícia busca determinar quando ocorreu a retirada e se o dispositivo armazenava imagens que possam contribuir para esclarecer a rotina do casal e os acontecimentos anteriores à morte.
O comportamento de João e da mãe dele nas horas seguintes também integra a apuração. Segundo documentos da investigação, aproximadamente cinco horas depois da queda, por volta de 1h30 do dia 14 de setembro, os dois teriam deixado o apartamento levando malas, com auxílio de uma terceira pessoa. A polícia também apura informações de que teriam sido iniciadas providências relacionadas à desocupação e eventual venda do imóvel.
Essas circunstâncias aparecem entre os elementos analisados no pedido de prisão preventiva, principalmente diante da preocupação dos investigadores com a preservação de possíveis provas e com a instrução criminal. A Polícia Civil apura eventual supressão, ocultação ou destruição de elementos relacionados ao caso.
João Munhoz Neto foi preso preventivamente nesta terça-feira (22/9). A medida não representa uma condenação ou conclusão sobre sua responsabilidade pela morte. A audiência de custódia está prevista para esta quarta-feira (23/9), quando a Justiça deverá analisar a legalidade da prisão e decidir sobre a manutenção da medida cautelar.
O ponto central da investigação agora é determinar se a morte decorreu de uma decisão autônoma da estudante ou se houve alguma conduta de terceiros capaz de induzir, instigar ou auxiliar o ato. Para isso, a Polícia Civil cruza mensagens, áudios, depoimentos, imagens das câmeras de segurança, perícias e dados extraídos dos aparelhos eletrônicos.
João nega envolvimento na morte de Isabelle. A defesa sustenta que outras hipóteses para a queda não podem ser descartadas e contesta as suspeitas levantadas no decorrer da investigação. Caberá à Polícia Civil concluir o inquérito e, posteriormente, ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos e decidir sobre eventuais medidas na esfera criminal.
Com a prisão preventiva e a incorporação das novas provas ao inquérito, o caso entra em uma etapa decisiva de apuração. A investigação permanece aberta e ainda precisa responder à principal questão: o que efetivamente aconteceu nas últimas horas de vida de Isabelle Caracristi e se houve participação criminal de terceiros em sua morte.






