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Ceará Notícias > Blog > Destaques > 8 mitos sobre o vitiligo que você precisa conhecer
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8 mitos sobre o vitiligo que você precisa conhecer

Ultima atualização: 03/09/2026 7:59 PM
Redação
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8 Min. de Leitura
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O vitiligo é uma doença caracterizada pela perda da pigmentação da pele e pode surgir em diferentes fases da vida. Estima-se que o quadro afete mais de 1 milhão de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Não raro, quem convive com a condição sofre preconceito devido à ideia errônea de que as manchas podem ser transmitidas por contato.

Esse é apenas um dos enganos relacionados à doença. A seguir, dermatologistas esclarecem 8 mitos sobre o vitiligo e explicam o que é preciso saber sobre a condição.

1 – “Vitiligo é contagioso”

O vitiligo não é uma doença transmissível e, portanto, não passa de uma pessoa para outra pelo contato. Segundo o dermatologista Juliano Barros, especialista e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), a condição está associada a diferentes fatores, entre eles predisposição genética, alterações autoimunes e fatores ambientais.

2 – “Toda mancha branca na pele é vitiligo”

Nem toda alteração esbranquiçada na pele significa que a pessoa tem vitiligo. Segundo o dermatologista Caio de Castro, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a doença costuma provocar uma mancha acrômica, ou seja, sem pigmentação.

O diagnóstico pode ser feito pela lâmpada de Wood, equipamento utilizado em ambiente escuro que permite ao dermatologista observar as lesões com maior definição.

3 – “O estresse não tem relação com o vitiligo”

Embora não exista uma causa única para o vitiligo, fatores emocionais podem estar relacionados ao aparecimento das lesões em alguns pacientes. Isso não significa, porém, que todas as pessoas que passam por períodos de estresse desenvolverão a doença.

“Estudos variados mostram que pelo menos 7,2% dos pacientes associam o surgimento da doença a algum distúrbio emocional. Além disso, o estresse psíquico pode atuar como um possível desencadeador do vitiligo”, explica Barros.

Essa relação também pode ocorrer no sentido inverso. Segundo o dermatologista, por ser uma condição que pode afetar a aparência, o próprio vitiligo pode contribuir para alterações no estado emocional e na saúde psíquica dos pacientes.

4 – “Quem tem vitiligo não pode tomar sol”

O diagnóstico não significa que a exposição solar seja totalmente proibida. Segundo Castro, a pele do paciente com vitiligo fica um pouco mais grossa e o organismo produz uma proteína chamada P53, que exerce um papel de proteção contra o câncer de pele, embora esse mecanismo não ofereça proteção total.

Ainda assim, as áreas afetadas exigem atenção, já que a perda de melanina reduz parte da proteção natural da pele e faz com que essas regiões queimem com mais facilidade. “O paciente deve tomar cuidado com o sol na área afetada pelo vitiligo e sempre aplicar o protetor solar”, explica o dermatologista.

5 – “É uma doença exclusivamente genética”

A genética está envolvida no desenvolvimento do vitiligo, mas não é o único fator relacionado à doença. Segundo Barros, estudos já identificaram alterações genéticas capazes de fazer com que algumas pessoas tenham maior predisposição a desenvolver a condição ao longo da vida.

Essa predisposição, porém, pode se somar a diferentes gatilhos. “Entre esses fatores estão alterações imunológicas e autoimunes, fatores genéticos, alterações no organismo, questões emocionais e até algumas doenças, especialmente as virais”, explica Barros.

6 – “Afeta apenas a pele”

Embora as manchas sejam a manifestação mais visível, o vitiligo também pode afetar outras regiões do corpo que possuem melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Segundo Castro, isso inclui as mucosas, os olhos e até os ouvidos.

Em alguns pacientes, isso pode estar associado a problemas como uveíte, uma inflamação nos olhos, e alterações na audição.

7 – “As manchas sempre aumentam com o tempo”

A evolução não é igual para todos os pacientes. Embora as manchas possam aumentar, principalmente quando não há tratamento adequado, isso não significa que a progressão ocorrerá obrigatoriamente em todas as pessoas.

Segundo Barros, há pacientes que relatam diminuição das lesões mesmo sem tratamento. “Não necessariamente as manchas vão aumentar em todos os casos”, reforça o dermatologista.

8 – “Vitiligo não tem tratamento”

Existem tratamentos que podem ajudar a controlar a doença e estimular a repigmentação das áreas afetadas. A escolha depende das características de cada paciente, como a extensão e a localização das manchas.

De acordo com Castro, uma das opções é a fototerapia com radiação ultravioleta B (UVB) de banda estreita. Quando o vitiligo está concentrado em uma área pequena, o tratamento pode ser feito de forma localizada, com equipamentos que direcionam a luz apenas para a região afetada.

O momento de iniciar o tratamento também é importante. Segundo Castro, quando a condição se torna crônica, algumas células de defesa permanecem na pele e continuam agindo contra os melanócitos, responsáveis pela produção de melanina, o que pode dificultar a recuperação da pigmentação.

Além da fototerapia, o tratamento pode incluir cremes com corticoides e, em determinados casos, medicamentos por via oral.

A região do corpo afetada também pode influenciar os resultados. De acordo com Castro, áreas com mais pelos, como o rosto, costumam apresentar maior facilidade de repigmentação, pois as raízes dos fios possuem células-tronco que podem ser estimuladas pela fototerapia. Já as mãos, que têm menos pelos, tendem a apresentar uma resposta menor.

Quais cuidados fazem parte da rotina?

A proteção contra a exposição solar é um dos principais cuidados. Castro recomenda o uso diário de protetor solar e a reaplicação do produto ao longo do dia, especialmente porque as regiões sem pigmentação são mais suscetíveis a queimaduras.

De acordo com o dermatologista, áreas submetidas constantemente ao atrito, como cotovelos e joelhos, podem ser mais propensas ao aparecimento de lesões e, por isso, exigem atenção especial.

Castro ainda orienta evitar procedimentos capazes de interferir nos melanócitos ou desencadear lesões, como depilação a laser, clareadores à base de hidroquinona e peeling de fenol. Para crianças com vitiligo em expansão, atividades que provocam atrito intenso na pele também exigem avaliação.

Impacto da doença na autoestima

Por provocar mudanças visíveis na aparência, o vitiligo pode ter repercussões emocionais e sociais. Segundo Barros, entre os impactos relatados pelos pacientes estão ansiedade, sintomas depressivos e maior tendência ao isolamento social.

“Muitos pacientes deixam de frequentar ou reduzem bastante a frequência em espaços sociais, justamente pelo receio de como serão aceitos e de como as pessoas ao redor vão compreender essa nova fase da vida”, relata o dermatologista.

O preconceito também faz parte da experiência de alguns pacientes e pode afetar as relações pessoais, familiares e até profissionais. Barros conta ainda que há pessoas que se afastam por acreditarem, de forma equivocada, que o vitiligo pode ser transmitido pelo contato.

Por isso, ampliar o acesso à informação sobre a condição também é uma forma de combater o estigma./AE

(Foto: Reprodução)

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