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Ceará Notícias > Blog > Destaques > 6 sinais de que sua saúde cardiovascular merece mais atenção
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6 sinais de que sua saúde cardiovascular merece mais atenção

Ultima atualização: 02/09/2026 9:17 AM
Redação
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8 Min. de Leitura
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As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o País registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano e, a cada cinco a sete ocorrências, uma resulta em morte.

O problema é que alterações capazes de aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras complicações nem sempre provocam manifestações perceptíveis. “A ausência de sintomas não significa ausência de riscos”, enfatiza Fernanda Weiler, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília. Pressão alta, colesterol elevado e diabetes, por exemplo, podem evoluir silenciosamente durante anos.

Por isso, sentir-se bem não deve ser o único parâmetro para avaliar a saúde do coração. Características da rotina, antecedentes familiares e hábitos também ajudam a identificar maior risco cardiovascular. A seguir, veja seis aspectos que merecem atenção.

1. Sono insuficiente e cansaço frequente

Quando o descanso é insuficiente ou fragmentado, há um aumento da atividade do sistema nervoso simpático e, consequentemente, da quantidade de adrenalina no organismo.

Segundo Fernanda, isso pode elevar a pressão arterial, piorar a sensibilidade à insulina, favorecer o desenvolvimento de pré-diabetes e diabetes, contribuir para o ganho de peso e aumentar processos inflamatórios no organismo, já que prejudica o período de recuperação das células.

“Quando essas alterações se mantêm ao longo do tempo, pode surgir maior risco de aterosclerose e doença coronariana, além de infarto, AVC e arritmias”, afirma.

Distúrbios do sono também devem ser considerados um sinal de alerta para a saúde do coração. Acordar frequentemente cansado, mesmo após uma noite inteira de sono, pode indicar desde fatores como estresse, mudanças de humor ou excesso de treinamento físico até anemia e alterações da tireoide, entre outros quadros de saúde.

2. Exames sem avaliação individualizada

Um check-up sem alterações é uma informação positiva, mas não necessariamente suficiente para determinar o risco cardiovascular. “Exames normais são tranquilizadores, mas representam o retrato daquele momento e não eliminam todos os riscos”, explica Fernanda.

Na avaliação individualizada, são considerados aspectos que não necessariamente aparecem em uma bateria convencional de exames. Histórico familiar, qualidade do sono, padrão alimentar, consumo de álcool, uso de estimulantes, variações da pressão e possíveis desconfortos durante atividades físicas são alguns deles.

Jorge Koroishi, cardiologista do Hcor, recomenda que mesmo pessoas sem doenças diagnosticadas façam uma avaliação preventiva. Pressão arterial, colesterol, glicemia, peso e circunferência abdominal estão entre os indicadores que podem ser avaliados.

Prevenção cardiovascular é trabalhar muito antes que a gente tenha uma doença

Jorge Koroishi, cardiologista do Hcor

3. Uso de pré-treinos e estimulantes sem orientação

O consumo de pré-treinos e outras substâncias estimulantes exige atenção, principalmente quando ocorre em doses elevadas ou quando diferentes produtos são combinados. Um pré-treino pode se somar, por exemplo, à cafeína presente no café, em refrigerantes e em energéticos consumidos no mesmo período.

A resposta do organismo também importa, sobretudo porque algumas pessoas podem ter predisposição genética para problemas cardiovasculares sem saber. Por isso, diz Fernanda, é preciso considerar tanto as características individuais quanto a composição, a dose e a procedência do suplemento.

Alguns sintomas durante o treino servem como sinal de alerta. Dor no peito, palpitações ou sensação de desmaio após o uso dessas substâncias exigem atenção e avaliação médica, inclusive para investigar uma possível arritmia ou outra alteração cardíaca.

Como a rotina afeta a saúde do coração?

4. Estresse crônico

O estresse crônico ocorre quando o organismo permanece em estado de alerta por períodos prolongados, em vez de reagir apenas a situações pontuais de tensão ou ameaça. Nesse cenário, há uma liberação persistente de hormônios como adrenalina e cortisol. “Essas substâncias aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial e provocam maior contração dos vasos sanguíneos”, explica Fernanda.

Quando esse quadro se mantém, pode haver piora do sono, alterações na glicemia e no colesterol, ganho de peso e maior dificuldade para controlar a pressão arterial. Também podem surgir palpitações, taquicardia, dor ou aperto no peito, falta de ar, tremores, tensão muscular, dor de cabeça e sintomas gastrointestinais.

Na consulta, o especialista poderá avaliar corretamente a origem dos sintomas e definir as medidas necessárias. Não se deve atribuir as manifestações cardiovasculares automaticamente ao estresse ou à ansiedade, reforçam os cardiologistas.

5. Histórico familiar

Antecedentes familiares são uma informação importante para estimar o risco cardiovascular. Segundo Koroishi, merece atenção o histórico de infarto, AVC ou morte súbita em homens da família antes dos 55 anos e em mulheres antes dos 65 anos.

Ter esse histórico não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá uma doença cardiovascular. “Ele funciona, porém, como um fator de risco que deve ser considerado junto com pressão arterial, colesterol, glicemia, hábitos e outros aspectos da saúde”, afirma o especialista.

6. Associar boa forma física a coração saudável

Manter-se ativo e ter um peso adequado são fatores positivos, mas a aparência física não permite determinar o risco cardiovascular. “Uma pessoa pode ser magra, treinar regularmente e ainda assim apresentar pressão alta, colesterol alto, glicemia alterada, ter apneia do sono ou até uma predisposição genética importante”, afirma Fernanda.

Existe ainda a possibilidade de alguns sinais serem subestimados por quem treina com frequência. Uma queda inesperada no rendimento, falta de ar desproporcional, dor no peito durante o esforço, palpitações ou desmaios sem explicação merecem investigação, mesmo quando a pessoa aparenta estar saudável.

Koroishi reforça que, mesmo entre quem pratica exercícios regularmente, passar muitas horas sentado não é recomendado, já que a inatividade prolongada pode trazer prejuízos para a circulação e para a saúde osteoarticular. Por isso, é importante intercalar esses períodos com pequenas caminhadas, alongamentos ou o uso de escadas.

Como cuidar do coração

A prevenção cardiovascular começa antes do surgimento de sintomas ou de uma doença. O acompanhamento ajuda a identificar alterações na pressão arterial, glicemia e colesterol e permite controlar esses fatores antes que provoquem repercussões no organismo.

Entre os cuidados recomendados pelos especialistas estão uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos e boas fontes de proteína, com menor consumo de sal, açúcar e ultraprocessados, além da prática regular de atividade física, adequada às condições de cada pessoa. Sono de qualidade, controle do estresse, abandono do tabagismo e atenção ao consumo de álcool também fazem parte da prevenção.

“A prevenção cardiovascular não depende de uma mudança perfeita imediata”, afirma Fernanda. Segundo a cardiologista, pequenas mudanças mantidas ao longo do tempo se somam e contribuem para um envelhecimento com mais qualidade de vida./AE

(Foto: Reprodução)

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