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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Lula e Flávio viram alvo em debate com Renan franco-atirador e dobradinha de Caiado e Cury
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Lula e Flávio viram alvo em debate com Renan franco-atirador e dobradinha de Caiado e Cury

Ultima atualização: 24/08/2026 10:05 AM
Redação
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7 Min. de Leitura
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Ausentes no primeiro debate entre presidenciáveis das eleições de 2026, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) foram o foco do evento, como alvo de críticas dos três participantes.

O encontro transmitido pela Band foi o confronto inaugural mais esvaziado desde a redemocratização.

Participaram Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), únicos presidenciáveis confirmados após Romeu Zema (Novo) anunciar que também não iria ao evento em protesto contra a ausência do petista e do candidato do PL.

Além do Grupo Bandeirantes, também integram o pool de veículos que promoveram o debate o jornal O Estado de S. Paulo, a TV Cultura, a Gazeta e a Jovem Pan.

Renan Santos adotou retórica virulenta, com ofensas aos dois ausentes, a quem chamou de cadelas e criminosos. Antes de a transmissão colocar, ele apareceu com fraldas com os nomes de Lula e Bolsonaro, cravando que a ausência de ambos no debate é prova de covardia: “vocês não estão vindo porque vocês são criminosos”.

O candidato do Missão explorou os púlpitos vazios de Lula e Flávio. Posicionou-se entre os dois palanques ao abordar a ausência de ambos e posou ao lado do púlpito do petista enquanto sua equipe registrava a cena nos bastidores.

No início, Renan mirou principalmente o presidente Lula, fazendo críticas à gestão do petista e mencionando sua ausência no debate diversas vezes.

“Sou um brasileiro indignado que nos últimos 12 anos enfrentou a roubalheira desse canalha do Lula”, disse ele.

Já a partir segundo bloco, as críticas foram direcionadas também a Flávio Bolsonaro. Ele chamou o senador de “cagão” e fez menção às investigações de rachadinha envolvendo o senador, que posteriormente foram arquivadas.

Ele também afirmou que Lula e Flávio estão “fugindo como cadelas” dos debates presidenciais.

Renan aproveitou a ausência de Lula para atacar a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. “Lula, coitado, tem que ficar com aquela Janja. Era mais fácil ter vindo ao debate, teria companhia melhores”, disse.

A deputada Erika Hilton (PSOL) também foi alvo do candidato. Ao ser questionado sobre o fim da escala 6×1, Renan se referiu a ela, que é autora de uma das PECs de redução de jornada, como “uma mulher muito grande, modelo de passarela”.

O ex-governador Ronaldo Caiado focou diversas falas nos resultados da sua gestão em Goiás e afirmou que, se eleito, proporia que a presença em debates de candidatos à Presidência fosse obrigatória. Ele disse que, ao faltarem ao evento, Lula e Flávio desrespeitam a opinião pública e dão as costas à população “achando que já estão eleitos”.

Pegando o gancho, Renan disse apoiar a proposta de Caiado e afirmou que Flávio teve “problemas gástricos” em debate anterior, em referência à disputa pela Prefeitura do Rio em 2016, quando o filho de Bolsonaro passou mal durante um debate transmitido ao vivo na TV.

“Flávio é aquele cachorrinho que saiu machucado da ninhada, e olha que os irmãos dele são o Carluxo e o Jair Renan”, disse o candidato do Missão.

Cury, por sua vez, chegou a anunciar que desistiria do debate em protesto contra as ausências de Lula e Flávio, mas depois voltou atrás. Ele negou que a saída tenha sido combinada previamente, afirmando que o que motivou a decisão foi descobrir, já no estúdio, que Lula havia marcado uma entrevista de TV no mesmo horário do debate —não apenas a ausência do presidente, já esperada.

“Se nós ficamos sabendo agora, vocês sabiam disso? Então não foi armado”, disse aos jornalistas, negando que a decisão fosse pré-combinada.

Em suas falas no debate, ele criticou Lula novamente pela entrevista, mas disse achar Renan muito ofensivo após ataque deste ao petista.

O candidato do Avante e Caiado fizeram dobradinhas ao discutir segurança pública e propostas voltadas para o eleitorado feminino. Cury chegou a dizer que, se eleito, nomearia Caiado para o Ministério da Segurança Pública, e o goiano retribuiu dizendo que o oponente estaria em sua equipe.

Manifestantes da UP se reuniram em frente à sede da Band em protesto pelo fato de a candidata à Presidência do partido, Samara Martins, não ter sido convidada para o debate.

Zema foi o último a confirmar ausência no confronto, neste domingo, por meio de nota de sua equipe. A assessoria do ex-governador de Minas Gerais reclamou que a data do debate havia sido alterada para viabilizar a participação de Lula, decisão que o presidente acabou revertendo. “Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial”, informou a equipe de Zema.

A campanha de Lula já havia decidido não ir ao debate, sob a justificativa de que faltariam condições de igualdade para o petista se defender dos ataques dos adversários. A presença de Renan Santos e Zema entre os convocados —nomes que não precisariam ser chamados segundo a legislação eleitoral— reforçou a decisão.

Sem Lula, Flávio Bolsonaro também optou por não comparecer. Aliados do senador afirmam que a estratégia é antagonizar diretamente com o petista e participar apenas de debates com a presença dele, evitando se tornar o principal alvo dos demais candidatos na ausência do adversário direto.

Caiado confirmou presença por meio de áudio distribuído por sua assessoria: “Me perguntaram aí se eu irei ao debate. Minha gente, todo mundo me conhece. Eu não dou marcha à ré nem para trem carregado de dinamite. Estarei lá”. O governador de Goiás tem chamado Lula e Flávio de “fujões” e afirmado que os dois evitam os debates por terem “muito o que esconder”.

Renan Santos também criticou a desistência de Zema. “Minha presença está confirmadíssima. É obrigação dos candidatos ir ao debate. É uma vergonha o que estão fazendo, é terrível. De direita a esquerda, todo mundo descompromissado, um negócio muito feio. Mas estarei lá”, disse./Folha SP

(Foto: Reprodução)

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