Como são as maiores articulações do corpo, os joelhos absorvem impacto quando você pratica esportes, sobe escadas ou até entra na cama. Esse estresse pode desgastar as articulações e, se já houver uma lesão, provocar dores que variam de incômodas a incapacitantes.
A dor crônica pode ser especialmente desgastante — física, financeira e emocionalmente —, afirma Matthew Abdel, cirurgião ortopédico da Mayo Clinic. A pessoa pode até não dizer: “Nossa, meu joelho está me matando”, comenta. “Mas, enquanto conversa com você sobre um assunto completamente diferente, ela está pensando nisso.”
Felizmente, há medidas que ajudam a controlar o desconforto, preservar a mobilidade e prevenir novas lesões. “Você não passa necessariamente de ‘meu joelho dói’ para uma cirurgia”, informa Robert Turner, fisioterapeuta do Hospital for Special Surgery, em Nova York.
Veja como diferenciar os tipos mais comuns de dor no joelho e o que os especialistas recomendam para tratá-los.
Causas comuns de dor no joelho
A causa mais comum de dor crônica no joelho, especialmente em adultos com 55 anos ou mais, é a osteoartrite. Nessa condição, a cartilagem das articulações se desgasta e perde a capacidade de absorver impactos. Isso provoca inflamação, inchaço ocasional e dor que, em geral, piora com o tempo, embora possam existir dias melhores e piores, explica Nicholas Scarcella, cirurgião ortopédico da Cleveland Clinic.
A dor pode ser aguda ou pulsátil e surgir em diferentes partes do joelho, nas laterais ou abaixo da patela. Pessoas com osteoartrite costumam sentir rigidez pela manhã, e normalmente o movimento fica mais fácil ao longo do dia.
Entre pessoas fisicamente ativas, lesões por sobrecarga também estão entre as causas mais frequentes de dor no joelho. Geralmente, elas surgem após um aumento repentino na intensidade, duração ou volume dos exercícios.
Corredores de longa distância, por exemplo, são mais propensos à síndrome da banda iliotibial, causada por movimentos repetitivos e caracterizada por dor na parte externa do joelho. Já o excesso de uso, a fraqueza dos músculos do quadríceps, o desalinhamento dos joelhos e lesões prévias podem levar à síndrome da dor femoropatelar, também conhecida como “joelho do corredor”, que provoca dor abaixo da patela.
A dor no joelho também pode surgir de forma repentina, após uma queda ou acidente, durante a prática esportiva ou até mesmo ao se abaixar para cuidar do jardim. Nesses casos, ela costuma ser intensa e aguda.
Uma das lesões mais comuns é a ruptura do menisco, uma estrutura cartilaginosa em formato de meia-lua que absorve impactos e ajuda a estabilizar o joelho. Essas rupturas geralmente ocorrem durante um movimento de torção e podem causar dor intensa, inchaço e dificuldade para dobrar a articulação depois da lesão. “Costuma ser um episódio de que a pessoa se lembra claramente”, afirma Scarcella.
Entorses dos ligamentos também são frequentes. Elas acontecem quando um dos quatro principais ligamentos do joelho — faixas resistentes de tecido conjuntivo responsáveis pela estabilidade da articulação — é excessivamente estirado ou rompido. Dois dos ligamentos mais frequentemente lesionados são o ligamento colateral medial (LCM) e o ligamento cruzado anterior (LCA). Em especial nas rupturas do LCA, é comum a pessoa sentir ou ouvir um estalo.
Como tratar a dor causada por sobrecarga e osteoartrite
Mesmo que a dor tenha surgido gradualmente, vale a pena procurar um fisioterapeuta. Segundo Turner, esse profissional pode identificar padrões de movimento que estejam contribuindo para a dor no joelho, como fraqueza dos quadris ou tendência de os pés “caírem” para dentro durante a marcha. Além disso, saberá dizer se é necessário consultar um médico.
Quando a dor é crônica e não resultado de uma lesão recente, fortalecer a musculatura ao redor do joelho — tanto acima da articulação (glúteos, flexores do quadril, quadríceps e isquiotibiais) quanto abaixo (panturrilhas e músculos do tornozelo) — pode reduzir a dor causada por diferentes problemas e prevenir novos episódios.
No caso da síndrome da dor femoropatelar, fortalecer os músculos do quadríceps, os abdutores do quadril e a musculatura do core, além de alongar o quadríceps, pode ajudar.
A prática de exercícios também reduz a dor causada pela osteoartrite e pode ser tão eficaz quanto analgésicos vendidos sem receita. Se sua rotina habitual estiver provocando dor, atividades aeróbicas de menor impacto, como pedalar, nadar ou usar o aparelho elíptico, podem ser boas alternativas.
Alguns estudos também mostram que a aplicação de fitas terapêuticas (taping) e o uso de calçados estáveis, com bom suporte, podem contribuir para reduzir a dor no joelho.
Se mudanças no estilo de vida e medicamentos por via oral não forem suficientes, o médico pode recomendar infiltrações com corticoides. Segundo Scarcella, elas podem aliviar a dor por algumas semanas, mas não são indicadas para uso frequente.
As evidências sobre as infiltrações com ácido hialurônico são contraditórias, mas alguns médicos afirmam que elas podem beneficiar pacientes com osteoartrite menos avançada quando outros tratamentos não surtiram efeito.
Alguns especialistas também podem recomendar infiltrações de plasma rico em plaquetas (PRP) para reduzir a dor em determinados pacientes. No entanto, esses tratamentos podem ser caros e não demonstraram capacidade de regenerar a cartilagem, explica Joanne Borg Stein, diretora de medicina regenerativa da Mass General Brigham.
Se você já tentou diferentes abordagens e a dor continua comprometendo sua qualidade de vida, o médico pode recomendar uma cirurgia de substituição do joelho (artroplastia).
Como tratar lesões
Para lesões súbitas, Turner recomenda interromper imediatamente a atividade que provocou a dor e aplicar gelo ao redor de toda a circunferência da articulação, e não apenas na parte da frente do joelho.
Analgésicos de venda livre, como o ibuprofeno, ou medicamentos tópicos também podem ajudar. Em alguns pacientes, determinadas lesões, como ruptura do LCA ou do menisco, podem exigir cirurgia.
Segundo Turner, é importante procurar um médico se o joelho parecer instável, se houver dor aguda e intensa de início súbito, se você não conseguir subir escadas ou não conseguir caminhar mais de quatro passos sem sentir dor.
Também não se deve ignorar a presença de febre — que pode indicar uma infecção — nem dores que estejam piorando, localizadas diretamente sobre o osso ou intensas o suficiente para acordar a pessoa durante a noite, alerta Joanne.
Como manter os joelhos saudáveis
Muitos fatores de risco para dor no joelho fogem do nosso controle, afirma Abdel. Não é possível mudar, por exemplo, a idade ou a genética.
Ainda assim, manter um peso corporal saudável ajuda a reduzir a carga sobre os joelhos. A cada passo, a articulação suporta uma carga equivalente a duas ou três vezes o peso do corpo.
Manter-se fisicamente ativo também é fundamental. Embora exista a ideia equivocada de que alguns tipos de exercício prejudicam os joelhos, músculos enfraquecidos pela inatividade podem, na verdade, aumentar o risco de desenvolver osteoartrite no futuro.
Mesmo quem já tem osteoartrite pode se beneficiar. “Desde que a pessoa mantenha boa flexibilidade e força muscular, tenha uma alimentação saudável e descanse adequadamente, ela terá uma função muito melhor e menos sintomas”, afirma Joanne. “Então, mesmo que não possamos prevenir completamente o problema, certamente podemos administrá-lo de forma proativa.”/AE
(Foto: Reprodução)






