Ciro concentrou sua ofensiva no diagnóstico da estrutura de segurança do Estado. Durante o primeiro bloco, classificou a inteligência cearense como frágil, questionou o modelo de utilização de viaturas alugadas, criticou o plano de cargos e carreiras da Polícia Militar e sustentou que o Ceará apresenta baixo índice de investigação e elucidação dos crimes. O candidato já vinha colocando o enfrentamento às facções criminosas entre os principais temas de sua campanha.
Outro ponto utilizado por Ciro foi a situação de Bebeto do Choró. O candidato voltou a cobrar a prisão do ex-prefeito, foragido desde 2024, e apresentou o caso como exemplo para questionar a capacidade do Estado de localizar e prender pessoas procuradas pela Justiça. A situação de Bebeto já vinha sendo explorada por Ciro nas críticas ao atual grupo governista.
Elmano respondeu defendendo que houve fortalecimento da inteligência e das estruturas policiais durante seu governo. No debate, o governador afirmou que a área de inteligência foi ampliada em cerca de 800%. Dados oficiais divulgados anteriormente pelo Estado registram que o efetivo do Sistema Estadual de Inteligência passou de 135 para 791 agentes, além da criação de novos setores de inteligência e unidades especializadas de repressão ao crime organizado.
O governador também contrapôs o diagnóstico de Ciro com os indicadores recentes de criminalidade. Elmano destacou as reduções de homicídios e roubos e atribuiu os resultados ao trabalho das forças de segurança, aos investimentos realizados e ao sistema de metas com gratificações aos profissionais. Dados oficiais do primeiro quadrimestre já apontavam redução de 37,2% nos crimes violentos letais e de 44,7% nos roubos, enquanto maio registrou nova queda expressiva nos crimes contra a vida.
Na questão investigativa, Elmano rebateu diretamente Ciro ao afirmar que os homicídios são investigados e que o Ceará possui taxa de elucidação superior à média nacional. A discussão evidenciou uma diferença central entre os discursos: Ciro procura avaliar a segurança pela presença das facções, pela capacidade investigativa e pelas deficiências que aponta na estrutura policial; Elmano concentra sua defesa na expansão das estruturas, nos investimentos e na redução recente dos indicadores.
O confronto também avançou para a responsabilidade política. Elmano lembrou a passagem de Ciro pela Câmara dos Deputados e questionou a ausência, segundo ele, de uma iniciativa legislativa específica do então parlamentar contra as facções. O governador citou medidas do governo Lula e ainda afirmou que o avanço inicial das organizações criminosas no Ceará remonta a períodos anteriores do Estado. Tratam-se de argumentos apresentados por Elmano durante o embate, e não de conclusões independentes sobre a responsabilidade pela expansão das facções.
No momento de maior tensão política, Elmano também fez acusações contra integrantes do campo adversário em relação a pessoas ligadas ao crime organizado. As declarações elevaram o tom do confronto e deslocaram parte da discussão dos resultados administrativos para as alianças e responsabilidades políticas de cada grupo. Elmano afirmou que quem esconde os criminosos é o estado governado pelo partido aliado de Ciro.
O primeiro debate deixou claros dois discursos distintos sobre o mesmo problema. Ciro procura convencer o eleitor de que, apesar dos investimentos e das estatísticas recentes, permanecem falhas estruturais na inteligência, na investigação e no enfrentamento às facções. Elmano responde que as mudanças realizadas começam a produzir resultados concretos e apresenta a redução dos crimes como evidência de que a estratégia adotada está funcionando.
A segurança pública, portanto, não apenas dominou o primeiro bloco da Band. Ela se consolidou como um dos principais campos de disputa de narrativas, dados, responsabilidades e propostas entre Ciro e Elmano para os próximos dois meses de campanha.






