De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi “encontrada sem vida em um imóvel particular”, onde a menina morava. A investigação é conduzida pela 5ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú. As autoridades, porém, não confirmaram qual a linha de investigação para o caso.
A família da menina disse que ela era vítima de bullying e que os episódios de violência verbal e psicológica tiveram início algum tempo depois do começo do ano letivo de 2026, quando a jovem começou a estudar no Colégio Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CMCB), situado no bairro Jacarecanga, em Fortaleza. A jovem também teria sofrido violência física.
“Ela inventava que não queria ir para a escola, que estava com dor de barriga, estava com dor de cabeça”, conta a mãe da criança, que não será identificada.
Os episódios de bullying denunciados pela jovem foram relatados à escola pela família. A mãe da menina contou ainda que eles chegaram a reforçar um pedido de transferência que tinha sido feito anteriormente, mas teve a solicitação negada.
Já o Colégio do Corpo de Bombeiros afirmou que “todas as demandas formalmente apresentadas à escola receberam o devido encaminhamento pelas equipes competentes”.
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) acompanha o caso por meio do Centro de Apoio Operacional da Educação, que encaminhou a demanda para a Promotoria de Justiça da Educação em Fortaleza.
Relatos de bullying
A mãe da criança relatou que, inicialmente, soube dos episódios de bullying que a filha sofria por meio da irmã mais velha da menina, que também é estudante, porém frequenta outra escola. No começo, ela negou os problemas, mas depois relatou ter sofrido episódios de violência verbal e até física.
“Quando ela chegava, quando eu notava ela muito calada, eu dizia: ‘O que está acontecendo?’, e ela disse: ‘Não, mãe, está acontecendo nada não’. Aí eu começava a ver a fardinha dela, aí eu via uma manchinha roxa, aí eu dizia: ‘o que foi isso aqui?’, ‘não mãe, foi eu na quadra, correndo, brincando’. Sendo que isso já estava acontecendo, né? E ela não queria falar a verdade”, disse a mãe.
A mãe disse que, após descobrir que a filha sofria bullying, ela denunciou o caso à escola. A menina chegou a ser ouvida em um depoimento na instituição, acompanhada pelos pais, no qual ela relatou os episódios e nomeou os responsáveis. Por meio de nota, o colégio confirmou ter recebido relatos de que a aluna sofria bullying.
“O Colégio destaca que sempre que tomou conhecimento de relatos apresentados à instituição adotou as providências previstas em seus protocolos internos de acompanhamento, com o objetivo de subsidiar a adoção das medidas pedagógicas e disciplinares cabíveis”, reforçou o Colégio do Corpo de Bombeiros.
A instituição também afirmou que todas as demandas formalmente apresentadas tiveram os devidos encaminhamentos realizados pelas equipes competentes, com procedimento para ouvir alunos citados no depoimento da jovem. A escola ressaltou, também, que desenvolve ações contínuas de prevenção e conscientização sobre bullying, contando com equipe de psicólogos.
Após comunicação formal, a família afirma que a equipe escolar não chegou a dar um retorno a eles sobre o contato com os outros alunos citados pela vítima.
Pedido de transferência
A família da jovem relatou que, ainda no início do ano, pediu a transferência da menina do Colégio do Corpo de Bombeiros, em Fortaleza, para o 3º Colégio da Polícia Militar, na cidade de Maracanaú, onde a família vivia.
Inicialmente, o pedido tinha motivos logísticos, uma vez que ajudaria a manter a jovem de 11 anos mais próxima de casa. No entanto, após os relatos de bullying, a família reforçou o pedido de transferência em busca de um novo ambiente escolar para a menina. O pedido não foi aceito.
Em nota, a escola informou que, logo no início do ano, a família protocolou o pedido de transferência por questões logísticas. O pedido foi analisado pela Assessoria Jurídica da Corporação, mas foi negado por não estar dentro de exigências do regimento interno.
Conforme a escola, as transferências entre escolas militares só podem ser feitas depois que o aluno cursa o tempo mínimo de um ano letivo na instituição de origem. Outros fatores são a disponibilidade de vaga na série e no turno do estudante na unidade pretendida.
O processo seletivo para ingressar no Colégio Militar é um concurso público de admissão. A escola informou, também, que não há restrições caso os estudantes queiram ser transferidos para outras escolas da rede pública ou particular.
“Na mesma oportunidade, a família foi informada de que poderia solicitar a transferência da estudante para qualquer outra instituição de ensino, pública ou privada, sendo assegurado pelo CMCB o encaminhamento para matrícula em escola pública próxima à residência da aluna, conforme a legislação aplicável”, diz a nota.
Ações na escola
Por meio de nota, o Colégio do Corpo de Bombeiros informou que, no retorno às aulas após as férias escolares, nesta segunda-feira (3), a escola realizou uma programação voltada para acolher a comunidade escolar e fortalecer ações de promoção da saúde mental, prevenção ao bullying e desenvolvimento socioemocional dos estudantes.
As ações incluem:
- Lançamento do programa “Nota 10, Bullying Zero” como iniciativa permanente para promover a cultura do respeito, da convivência saudável e da prevenção à violência no ambiente escolar.
- Reuniões de planejamento e articulação com representantes do Ministério Público do Ceará, a procuradora de Justiça Isabel Porto, o promotor de Justiça Ayrton Foch, psicólogos e assistentes sociais.
- Visitas de acolhimento a familiares de estudantes para oferecer apoio e acompanhamento.
- Treinamento para monitores sobre prevenção e pós-venção ao suicídio e intervenção em situações de crise.
- Formação de professores para acolhimento de estudantes.
- Encontros para pais e responsáveis com orientações e fortalecimento da parceria entre família e escola./g1






