Aliados do senador apostam no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para reverter esse cenário, mas integrantes do Republicanos e do Podemos afirmam que a tendência é que os dois partidos fiquem neutros na disputa presidencial, liberando seus diretórios estaduais para fazerem campanha para quem for mais conveniente para a estratégia de eleger mais congressistas.
O Republicanos fará sua convenção partidária na terça (4), às 9h, em Brasília, e Tarcísio mantém contato constante com o presidente do partido para tratar da eleição. Eles estarão juntos neste sábado (1º) na convenção estadual do partido em São Paulo.
Já o Podemos delegou à Executiva nacional, comandada pela deputada federal Renata Abreu (SP), a decisão sobre alianças até 5 de agosto (quarta), prazo máximo para registro de candidaturas.
Com a rejeição do PP e a provável negativa do Republicanos, Flávio Bolsonaro está isolado na disputa eleitoral, com apoio apenas do PL, o que lhe deixará com 20% de tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio a menos do que o presidente Lula (que conseguiu unificar em torno de si os partidos de esquerda e centro-esquerda, embora também tenha falhado em ampliar alianças ao centro).
Nesse cenário, Flávio terá 4min20s de propaganda em cada bloco do programa eleitoral de 12min30 na TV e rádio, um minuto a menos do que Lula, que contará com 5min32s de cada programa. Além deles, apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão direito a propaganda na disputa presidencial. O ex-governador de Goiás vai dispor de 2min2s e o escritor, de 36 segundos.
No Republicanos, apesar dos apelos de Tarcísio, a tendência é aprovar a neutralidade na eleição presidencial, de acordo com quatro parlamentares da cúpula do partido e dois dirigentes nacionais. Essa é a posição da maioria da legenda, que prefere liberdade para selar as melhores alianças nos estados, sem precisar estar vinculado a uma candidatura presidencial vista como problemática.
Em troca da coligação, Flávio ofereceu ao Republicanos a vice na chapa —que ele deseja que seja ocupada por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. A indicação, porém, não entusiasma a direção da sigla, já que Daniella é recém-filiada.
Para vencer essas resistências, aliados de Flávio passaram a falar no deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) para a vaga. Ele é presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a bancada ruralista. Pessoas próximas ao parlamentar, porém, afirmam que ele tem uma relação de proximidade com Caiado, o que dificulta que aceite, e que estaria focado na reeleição para deputado.
Integrantes da campanha também sugeriram a possibilidade de indicar Marcos Pereira, presidente do Republicanos, para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), o que foi rejeitado publicamente pelo presidente do partido.
Segundo dois dirigentes da sigla, a perda de força de Flávio após a revelação de que ele pediu e recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme “Dark Horse” reduziu há meses as chances de uma aliança. As pesquisas internas do partido apontam que isso fragilizou a candidatura, até então considerada muito competitiva. Flávio diz que o dinheiro era apenas para custear o longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nos bastidores, quem convive com Pereira narra uma série de insatisfações do presidente do Republicanos com o PL, inclusive o vazamento da suposta negociação por uma vaga no STF. Nessa lista, também estão a insistência do partido de Flávio em filiar Tarcísio e ataques do clã Bolsonaro, como a declaração de Eduardo Bolsonaro, em 2023, de que o Republicanos era um partido de esquerda.
Segundo políticos do partido, a maioria dos diretórios prefere a neutralidade, seja por estar numa aliança com a chapa ligada ao governo Lula em seu estado, como no caso do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), na Paraíba, seja por divergências locais com o PL, como no Mato Grosso, onde os dois partidos vão se enfrentar na disputa ao governo.
Aliados de Lula e integrantes da campanha de Flávio também tentaram atrair o Podemos. A sigla é uma das que mais cresceu na janela partidária em março e hoje conta com 27 deputados federais, além de ser a maior bancada federal de São Paulo.
Houve uma conversa do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, e outros cardeais do PT, com a cúpula do Podemos. Segundo lideranças do governo, a conversa não chegou a uma aliança, mas foi positiva para pavimentar a discussão sobre uma participação mais expressiva do partido num governo Lula 4, a depender do tamanho da bancada eleita, e afastá-lo de Flávio.
Pelo lado do PL, foi aventada a possibilidade de ajuda com o fundo eleitoral. A sigla de Flávio Bolsonaro não veda a transferência de recursos para partidos aliados. Apesar de considerarem importante um aumento do fundo eleitoral, deputados avaliam que um alinhamento com Flávio Bolsonaro poderia atrapalhar o desempenho geral do partido.
Nesta sexta (31), Flávio se reuniu com a presidente do Podemos, num encontro organizado pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Segundo aliados de Renata, foi reforçado o convite para uma aliança, com a possibilidade inclusive de que ela concorra como vice, mas a tendência segue sendo a neutralidade.
O caminho foi também o adotado pela federação PP e União Brasil. Até então a principal aposta de Flávio para ocupar a vice e turbinar seu tempo de propaganda na TV e rádio, o grupo se distanciou da candidatura do PL após o caso “Dark Horse” e, principalmente, após as críticas feitas por Flávio ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) quando o presidente do PP foi alvo de operação da Polícia Federal pelas relações com o ex-dono do Banco Master./Folha SP
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