O câncer de próstata é o tumor maligno mais comum entre os homens, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. A doença se desenvolve na próstata, glândula do sistema reprodutor masculino, e está entre as principais causas de morte por câncer na população masculina.
Segundo o oncologista Abraão Dornellas, integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer, conhecer a doença é essencial para aumentar as chances de diagnóstico precoce e definir o tratamento mais adequado.
Quais são os estágios do câncer de próstata?
O câncer de próstata é dividido em três principais estágios:
- Doença localizada: o tumor permanece restrito à próstata. Quando identificado nessa fase, as taxas de cura costumam ultrapassar 90%.
- Doença localmente avançada: ocorre quando o câncer ultrapassa os limites da próstata e invade estruturas próximas, mas ainda não atingiu órgãos distantes. É nesse grupo que se enquadram muitos tumores de agressividade intermediária, como o relatado por Lito Sousa.
- Doença metastática: ocorre quando o tumor se espalha para outros órgãos, principalmente ossos, linfonodos, fígado e pulmão.
Mesmo realizando exames de rotina, um homem pode descobrir um câncer de próstata em estágio de agressividade intermediária ou alta.
Segundo o especialista, isso ocorre porque alguns tumores apresentam um comportamento biológico mais agressivo desde o início, o que favorece uma evolução mais rápida da doença.
“O câncer de próstata é uma doença extremamente heterogênea, ou seja, não se comporta da mesma forma em todos os pacientes. Existem casos de comportamento muito benigno, que podem ser apenas acompanhados, e outros que apresentam características de maior agressividade”, explica Abraão.
Sintomas e diagnóstico precoce
Nas fases iniciais, o câncer de próstata costuma não provocar sintomas. Quando eles aparecem, normalmente a doença já está mais avançada. Os principais sinais incluem dificuldade para urinar, jato urinário fraco, aumento da frequência urinária, sangue na urina ou no sêmen, dores pelo corpo, perda de peso e fadiga.
Por isso, o especialista reforça que o ideal é identificar a doença antes do surgimento dos sintomas. A investigação envolve a dosagem do PSA (antígeno prostático específico), o exame de toque retal, exames de imagem, como a ressonância magnética e, quando há suspeita, a confirmação por meio de biópsia.
“De forma geral, homens com risco habitual devem iniciar esse acompanhamento por volta dos 50 anos. Já pessoas negras e quem tem histórico familiar de câncer de próstata precisam começar entre 40 e 45 anos”, recomenda o oncologista.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da fase da doença. Nos tumores localizados ou localmente avançados, as principais opções são cirurgia e radioterapia. Em casos de muito baixo risco, alguns pacientes podem ser acompanhados apenas por vigilância ativa.
Quando o câncer já apresenta metástases, o tratamento costuma ser baseado no bloqueio hormonal, associado a medicamentos que impedem a ação da testosterona sobre as células tumorais.
“Existem tratamentos distintos para cada estágio da doença. Por isso, o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para ampliar as possibilidades terapêuticas e melhorar os resultados”, conclui Abraão./AE
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