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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Qual a diferença da nova vacina pneumocócica que o SUS vai começar a oferecer?
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Qual a diferença da nova vacina pneumocócica que o SUS vai começar a oferecer?

Ultima atualização: 04/06/2026 11:59 AM
Redação
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5 Min. de Leitura
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O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (3/6), a incorporação da vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) ao Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante oferece proteção contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo.

A expectativa é que, a partir da segunda quinzena deste mês, o imunizante comece a substituir a vacina pneumocócica 10-valente (VPC10) nas unidades básicas de saúde para vacinação de crianças menores de 5 anos.

O objetivo é aumentar a proteção contra o pneumococo. A infecção pelo microrganismo (doença meningocócica) pode causar desde otite e sinusite até meningite, pneumonia e sepse.

Segundo o ministério, entre 2024 e outubro de 2025, o SUS contabilizou mais de 34 mil atendimentos relacionados a doenças causadas pela bactéria. Entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos.

Quais as diferenças entre as vacinas?

Em 2010, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) incorporou a VPC10, que protege contra dez sorotipos da bactéria. O SUS também oferece a pneumo 13 e a polissacarídica 23 para alguns públicos específicos. Todas essas formulações serão gradualmente substituídas pela pneumo 20.

Segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a principal diferença entre as vacinas está na quantidade de sorotipos contemplados.

“O diferencial da nova vacina é a ampliação da proteção imunológica, relacionadas aos sorotipos que mais causam pneumonia invasiva, especialmente os tipos 3, 6A e 19A, sendo mais abrangente do que as formulações anteriores. A vacina também atua contra a otite média, condição que pode levar à perda auditiva e infecção generalizada que pode levar à morte”, diz o ministério.

Outro benefício da ampliação da cobertura é a inclusão de sorotipos que vêm apresentando maior resistência a antibióticos, acrescenta Cunha.

Importância da pneumo 10

Cunha ressalta que a vacina implementada em 2010 teve impacto importante na redução de casos graves de doença pneumocócica e meningite, especialmente em crianças.

De acordo com o ministério, após a introdução da VPC10, houve redução de 55% a 60% na incidência de doença pneumocócica causada pelos sorotipos vacinais em crianças menores de 2 anos. Também houve queda superior a 65% nos casos de meningite nessa faixa etária. Entre idosos, a redução dos casos de meningite ficou entre 20% e 30%.

Apesar dos resultados positivos, outros sorotipos passaram a circular com maior frequência ao longo dos anos. “Esse fenômeno é conhecido como replacement. Alguns sorotipos não contemplados pela vacina acabam ocupando o espaço deixado por aqueles que foram controlados. Quando isso acontece, surge a necessidade de ampliar a cobertura para vacinas de maior valência”, explica Cunha.

Como fica o esquema vacinal?

A transição para a VPC20 ocorrerá conforme a disponibilidade das doses nos estados e municípios. Durante esse período, o esquema vacinal para crianças seguirá o seguinte modelo:

  • uma dose da pneumo 20 aos 2 meses de idade;
  • uma dose da pneumo 10 aos 4 meses;
  • uma dose de reforço da pneumo 20 aos 12 meses.

Para crianças com esquemas vacinais incompletos ou em atraso, a recomendação varia de acordo com a idade e o histórico de vacinação.

Além do público infantil, a pneumo 20 será ofertada para indígenas, idosos acamados e/ou institucionalizados e pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie).

“Pacientes com doenças crônicas ou que apresentem algum grau de imunossupressão também poderão se beneficiar da nova vacina”, afirma Cunha.

Quem mais deve tomar a vacina?

Além das recomendações do Ministério da Saúde, a SBIm defende a vacinação rotineira com a VPC20 para todas as pessoas a partir de 50 anos, independentemente da presença de comorbidades. Em farmácias, a dose do imunizante custa cerca de R$ 420.

Os efeitos adversos mais comuns incluem dor e inchaço no local da aplicação, além de febre baixa e mal-estar nos primeiros dias após a vacinação./AE

(Foto: Reprodução)

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