
PONTO POLÍTICO
Reginaldo Silva- Ceará Notícias
Uma das maiores capacidades de Lula sempre foi a negociação. O dom, aliado à prática, conquistado a duras penas no chão das fábricas, ainda quando era apenas um líder sindical.
Zé Dirceu, certa vez, foi questionado por que o PT não tentava renovar os quadros da legenda, indicando nomes diferentes de Lula. A resposta foi curta e certeira. Porque não apareceu ninguém com a capacidade dele.
A cúpula petista do Ceará reconhece esse talento de Lula para negociação. A agenda institucional com o presidente também revela o teor político do encontro.
Essa foi a primeira reunião das lideranças petistas do Ceará com Lula, após a desistência de Guimarães da disputa pelo Senado, da confirmação do nome de Elmano para a disputa ao Abolição e das investidas de Camilo junto aos prefeitos cearenses.
Guimarães já havia antecipado em entrevistas anteriores que um dos objetivos principais da eleição no Ceará seria dar mais de 70% dos votos para Lula. No encontro do PT, a resolução do Diretório ratificou a fala do ministro da SRI.
Com o nome de Elmano consolidado como pré-candidato ao governo, as atenções se voltam para o principal ponto de tensão da base governista, o Senado. Lula tem cuidado desse detalhe com precisão cirúrgica nos estados, sobretudo, depois do vexame da desaprovação de Jorge Messias para o STF no Senado Federal.
Há um critério mais rigoroso para escolhas de nomes que irão compor a Câmara Alta.
Camilo, Elmano, Guimarães e Evandro colocaram as cartas na mesa para o presidente e queriam seu aval. Etapa vencida é hora da execução e caberá ao governador concluir a tarefa de negociar e buscar a unidade do grupo.
A chapa da base governista já teria sido desenhada, com o aval do presidente, agora é marcar o anúncio, possivelmente com a presença de Lula no Ceará. Essa foto contará muito para o período eleitoral.
Lula sabe que o Ceará é estratégico para a campanha nacional, para o Nordeste e para o Congresso. O desafio agora é acomodar interesses, definir espaços e evitar que disputas individuais prejudiquem o projeto coletivo.
Depois da reunião com Lula, a missão agora é simples: transformar tensão em unidade e unidade em força eleitoral.





