A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a colocar o Ceará no centro do debate político nacional ao fazer novas publicações nas redes sociais envolvendo a disputa pelo Governo do Estado em 2026. Em duas manifestações; Michelle defendeu o senador Eduardo Girão, pré-candidato ao Abolição pelo Novo, e associou o ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato pelo PSDB, ao presidente Lula.
As publicações reacenderam a discussão sobre qual candidatura teria maior identificação com o eleitorado bolsonarista no Ceará. De um lado, Eduardo Girão vem sendo apresentado por Michelle como nome mais próximo do campo conservador. Do outro, Ciro Gomes passou a contar com apoio formal de setores do PL cearense, em uma articulação defendida pelo deputado federal André Fernandes.
Michelle comparou imagens de Ciro Gomes e Eduardo Girão em 2004. Em uma delas, Girão aparece ao lado da senadora Damares Alves segurando um cartaz com a frase “vida sim, drogas não”. Na outra, Ciro aparece ao lado de Lula, período em que ocupava o Ministério da Integração Nacional no primeiro governo petista.

A movimentação ocorre poucos dias após o PL do Ceará declarar apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Estado, decisão que contrariou a posição defendida por Michelle Bolsonaro em relação ao palanque cearense.

O embate não é novo. Em novembro de 2025, durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão ao Governo do Ceará, Michelle já havia criticado a possibilidade de aliança entre o PL cearense e Ciro Gomes. Na época, a declaração gerou reação do deputado federal André Fernandes, presidente estadual do PL, que defendeu a autonomia da legenda no Estado para construir sua estratégia eleitoral.
Agora, ao voltar ao tema, Michelle amplia a pressão sobre a direita cearense e reforça a disputa simbólica em torno do eleitor bolsonarista. A mensagem política das publicações busca contrastar trajetórias e sinalizar ao público conservador quem estaria mais alinhado ao projeto político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A movimentação também evidencia uma divisão estratégica dentro da direita no Ceará. Enquanto uma ala aposta em Ciro Gomes como nome competitivo para enfrentar o grupo liderado pelo PT no Estado, Michelle Bolsonaro e aliados de Eduardo Girão sustentam uma linha de maior fidelidade ideológica ao bolsonarismo.





