Uma nova lente oftalmológica promete controlar a progressão da miopia em crianças de 4 a 12 anos.
“A alternância da área de foco e da área de desfocagem fornece uma visão nítida e, simultaneamente, gerencia a miopia”, diz a empresa.
De acordo com Celso Cunha, oftalmologista e consultor da Hoya, a lente utiliza a tecnologia DIMS TED, uma evolução da DIMS original, desenvolvida em colaboração com a Universidade Politécnica de Hong Kong em 2014.
“A nova versão tem um poder de desfoque maior, o que cria um sinal mais forte para frear o crescimento do olho, processo que causa o aumento da miopia”, diz Cunha.
Um estudo clínico randomizado realizado em Hong Kong com 196 crianças de 4 a 12 anos com miopia apontou que cerca de 90% daquelas que utilizaram a nova lente não apresentaram progressão do quadro após 12 meses. Além disso, o crescimento axial do olho se manteve abaixo ou em níveis comparáveis aos de crianças não míopes.
O grupo entre 7 e 12 anos, em específico, alcançou 100% de eficácia no controle da miopia e redução de 94% no crescimento do olho. Já no grupo de crianças mais novas, de 4 a 6 anos, a lente não interrompeu totalmente a progressão do quadro, mas teve eficácia acima dos 90%.
“É um marco no controle da miopia”, destaca Cunha. “Anteriormente, só conseguíamos desacelerar o avanço do quadro, mas agora, com a Miyosmart iQ, conseguimos ter um controle absoluto, a depender da idade da criança.”
Tratamento para crianças mais novas
Cunha destaca ainda que tecnologias similares eram focadas em crianças acima de 8 anos. “Esse lançamento vem justamente para ajudar crianças menores. Ele mostra que crianças de 4 anos que possuem miopia já podem realizar esse tipo de tratamento. Além de ampliar o leque na faixa etária, a eficácia também é maior”, diz o oftalmologista.
Christiane Rolim de Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) sem ligação com a Hoya, explica que as tecnologias ópticas disponíveis no Brasil atualmente têm uma eficácia de cerca de 50% a 60% na progressão da miopia.
“Essa nova geração de lentes apresentada nesse estudo, com desenho óptico aprimorado e possibilidade de uso em crianças mais jovens, representa um avanço promissor”, avalia.
“No entanto, é fundamental destacar que esses tratamentos visam reduzir a velocidade de progressão da miopia do desenvolvimento, e não de casos patológicos ou altas miopias genéticas, além de envolverem custos que podem limitar o acesso”, acrescenta.
Christiane também ressalta que o Brasil ainda carece de estudos de longo prazo na população que permitam compreender o impacto dessas intervenções na saúde ocular ao longo da vida.
“Assim, medidas comportamentais, como o estímulo ao tempo ao ar livre e o uso equilibrado de telas, permanecem como estratégias essenciais, acessíveis e de grande relevância em saúde pública”, orienta.
Isso porque, conforme a Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP), submeter continuamente os olhos a tarefas em curta distância, como assistir a vídeos no celular, favorece o desenvolvimento da miopia. Por outro lado, a exposição à luz natural, em atividades ao ar livre, ajuda a evitar o quadro.
O que é a miopia?
A miopia ocorre quando o olho cresce mais do que o normal, o que faz com que a imagem se forme na frente da retina, e não sobre ela. O problema é comum na infância e tende a piorar com o passar dos anos. Quanto antes o controle começar, melhor.
Segundo Cunha, caso não tratada, a miopia pode evoluir para alta miopia, que aumenta significativamente o risco de complicações oculares mais graves, como a maculopatia miópica, que pode levar à cegueira./AE
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