Ceará NotíciasCeará NotíciasCeará Notícias
Font ResizerAa
  • Página Inicial
  • Destaques
  • Ponto Político
  • Política
  • Ceará
  • Esporte
  • Últimas Notícias
  • Entre em Contato
Font ResizerAa
Ceará NotíciasCeará Notícias
  • Página Inicial
  • Destaques
  • Ponto Político
  • Política
  • Ceará
  • Esporte
  • Últimas Notícias
  • Entre em Contato
Pesquisar
  • Página Inicial
  • Destaques
  • Ponto Político
  • Política
  • Ceará
  • Esporte
  • Últimas Notícias
  • Entre em Contato
Siga-nos
Ceará Notícias > Blog > Destaques > Debate sobre TEA expõe tensão entre autistas nível 1 e pais dos casos severos
DestaquesOutros

Debate sobre TEA expõe tensão entre autistas nível 1 e pais dos casos severos

Ultima atualização: 16/05/2026 11:57 AM
Redação
Compartilhar
9 Min. de Leitura
Compartilhar

O debate sobre uma possível separação entre as categorias agregadas no TEA (Transtorno do Espectro Autista) traz à tona uma divergência: autistas nível 1, ou ‘leve’, como é conhecido, costumam liderar movimentos ligados ao autismo e nem sempre há consenso com pais dos autistas de grau chamado de ‘severo’, que têm deficiência intelectual e dificuldade extrema ou incapacidade de se comunicar.

O conceito do espectro foi estabelecido, em 2013, pela quinta e mais recente versão do DSM, sigla em inglês para Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, ‘bíblia’ da psiquiatria.

Nos últimos anos, ganhou força entre os cientistas a discussão sobre a necessidade de se reavaliar o TEA na próxima edição do DSM, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria.

O TEA unificou condições diversas, divididas pelos níveis 1 (“exige apoio”), 2 (“exige apoio substancial”) e 3 (“exige apoio muito substancial”). Em geral, especialistas apontam que o lado cheio do copo foi o aumento da conscientização e de conquistas de direitos para os autistas. Já o lado vazio, seriam as dificuldades na realização de pesquisas, políticas públicas e nos diagnósticos e tratamentos.

O debate evidenciou uma “disputa muito séria” entre autistas com graus “mais sutis e pais dos que apresentam as condições mais graves”, de acordo com Lucelmo Lacerda, especialista na área.

Doutor em educação com pós-doutorado em psicologia, ele realiza pesquisas em um dos principais centros para autistas do mundo, o Instituto Frank Porter Grahan de Desenvolvimento Infantil, da Universidade da Carolina do Norte (EUA) e mantém um perfil sobre autismo no Instagram, com 549 mil seguidores.

Lacerda conhece os dois lados da história, e não só profissionalmente. Com um filho, hoje com 18 anos, autista de grau severo, ele próprio recebeu posteriormente o diagnóstico de autismo. A sua condição era antes chamada de Síndrome de Asperger, em que as pessoas, em geral, têm inteligência normal ou acima da média, mas sofrem com dificuldades em relacionamentos sociais, hiperfoco e rigidez na rotina. A denominação Asperger foi excluída do DSM e se tornou parte do TEA, o autismo nível 1.

Os autistas níveis 2 e 3 normalmente têm dificuldades ou incapacidade de comunicação e comprometimento intelectual, de maior ou menor grau.

“[Antes do TEA] Quem falava pelo Asperger? Os [com] Asperger, porque são pessoas verbalmente competentes, intelectualmente competentes. E quem falava pelos autistas, via de regra, eram os pais.”

Após a criação do espectro, explica Lacerda, surgiu nos movimentos a ideia de uma “voz própria”. “[O discurso passou a ser:] ‘Nós [que temos autismo nível 1] estamos falando pelos autistas’.”

O problema, diz, é que quem fala é “totalmente diferente do autista nível 2 e nível 3”, e surge o conflito.

“Vamos considerar, por exemplo, o autismo profundo: alguém com deficiência intelectual grave, dependente 24 horas por dia. São 26% dos autistas, mas apenas 6% das pesquisas são sobre eles.”

Também há dificuldades nas pesquisas, e ele cita um exemplo. “Estamos conduzindo uma pesquisa de equoterapia [terapia que utiliza cavalos para estimular o desenvolvimento] e selecionamos autistas níveis 2 e 3”, conta. “Foi um quiprocó com os pais dos autistas nível 1, [que reclamaram]: ‘Você está querendo dizer que meu filho não precisa de nada?’. Claro que precisa, mas aquela pesquisa é voltada para os que têm outras condições. Não tem como fazer o mesmo estudo para pessoas como eu e como o meu filho.”

A unificação, afirma, também dificulta políticas públicas, inclusive de inclusão escolar. A previsão de gastos para a contratação de profissionais especializados, por exemplo, acaba considerando o número total do TEA, mesmo quando apenas um grupo utilize determinados benefícios.

Lacerda aponta prevalência do autismo 1 na mídia. “Quanto da cobertura fala de autismo profundo? Quase tudo é história de superação, de autista que foi para a faculdade, que se casou. Nas séries de TV, quase todos os personagens autistas são nível 1, e gênios.”

Pondera que os autistas de nível 1, como ele, também são prejudicados pela unificação: passam por um sofrimento emocional intenso, negligenciado pela dualidade entre autismo “leve” X “severo”. “Eu mesmo sofri bullying grave na escola e até no trabalho.”

O perfil @autistasadultos publicou no Instagram um post alertando para uma falsa ideia de que é um “luxo” ter autismo “leve”. “Dizem que virou moda ter laudo de TEA nível 1 e que estamos buscando privilégios.” A publicação afirma que mesmo autistas com QI acima da média sofrem com desemprego e subemprego em razão das dificuldades de manejar as relações sociais. Alerta para a prevalência de burnout e tentativas de suicídios geradas pelo sofrimento de “ter que forçar contato visual, monitorar o tom de voz e engolir o pânico sensorial para não ser chamado de ‘esquisito’.”

A sociedade tem dificuldade de compreender as categorias do TEA, avalia. “Um autista nível 1 pode ser indeferido para uma vaga, mesmo que tenha condições para o trabalho”, afirma. “Aconteceu recentemente em Santa Catarina. Uma autista foi eliminada de um concurso para delegada. Achavam que tinha hipersensibilidade auditiva e não poderia atirar. Sorte que tinha vários vídeos em que aparecia atirando.”

A deputada estadual Andréa Werner (PSB-SP), que se tornou militante da causa autista, afirma receber uma série de denúncias de pessoas com autismo nível 1 recusadas em concursos, nas cotas para pessoas com deficiência.

“Há um julgamento: ‘Você não é deficiente o suficiente’, o que é ilegal”, afirma a deputada. Autistas, em qualquer categoria do TEA, são legalmente considerados pessoas com deficiência, com seus benefícios e direitos garantidos pela Lei Berenice Piana (2012) e pela Lei Brasileira de Inclusão (2015).

A deputada tem um filho com autismo nível 3 e foi diagnosticada como autista nível 1.

Para ela, a divisão do DSM em apenas três níveis não dá conta da diversidade do TEA. Aponta que a nova versão da CID (Classificação Internacional de Doenças), da Organização Mundial da Saúde, que entra em vigor no Brasil em janeiro de 2027, é mais clara por ter mais subníveis de autismo, que abordam a existência ou não de deficiência intelectual e da linguagem funcional.

Ela afirma que, atualmente, “há margem para muitas interpretações” e tensão. “Muitas vezes, os governos se baseiam nas palavras de autistas nível 1 para criar políticas para todos os autistas, sem ouvir as famílias dos que têm nível 2, 3. Para incluir, de fato, autistas como o meu filho, que quase não usa a comunicação, não podemos excluir as famílias do debate.”

Lacerda afirma não ter dúvida de que os recentes debates sobre o autismo levarão ao fim do conceito de espectro em uma nova edição do DSM (ainda sem data).

Para o neuropediatra Paulo Liberalesso, diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa em Saúde e Inclusão Social (Iepes), que aborda o autismo em seu perfil no Instagram, com 1,5 milhão de seguidores, esse debate é “reflexo da evolução de conceitos e da neurociência contemporânea”.

Ele pondera que “o conceito de espectro teve um papel fundamental na construção de uma identidade coletiva e na mobilização por direitos”.

“Fragmentar excessivamente o diagnóstico pode reduzir a força do movimento em defesa dos autistas. Em um país como o Brasil, onde ainda lutamos por acesso básico a diagnóstico precoce e intervenção minimamente especializada, essa é uma preocupação legítima da comunidade autista.”/Folha SP

(Foto: Reprodução)

Compartilhar Notícia
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram
O que você acha?
Feliz0
Amor0
Embaraçar0
Triste0
Nervoso0
Surpresa0

Veja Também

DestaquesOutros

INSS inicia mutirão de dois dias com quase 26 mil vagas de atendimento

16 de maio de 2026
CearáDestaques

Ciro Gomes lança pré-candidatura ao governo do Ceará e diz que vai convidar Roberto Claudio para vice

16 de maio de 2026
DestaquesOutros

Governo anuncia a oferta de 23 medicamentos de alto custo para tratar 18 tipos de câncer no SUS

16 de maio de 2026
CearáDestaques

Vacina contra a gripe vai estar disponível para toda a população do Ceará a partir de segunda

16 de maio de 2026

 

CONTATO
[email protected]
WhatsApp (88) 9764 47 97

Categorias

  • Página Inicial
  • Destaques
  • Ponto Político
  • Política
  • Ceará
  • Esporte
  • Últimas Notícias
  • Entre em Contato

Tags

Ceará Destaques Educação Espaço Aberto Esporte Famosos Geral Interior Internacional Municípios Outros Policial Política Ponto Político
Welcome Back!

Sign in to your account

Perdeu sua senha?