À frente de um telão colorido com o slogan “tudo é forró”, o locutor bolsonarista Cuiabano Lima, conhecido pela narração do rodeio de Barretos (SP), diz em Brasília: “Que honra estar ao lado de um homem abençoado por Deus”. O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, responde, tímido, logo antes de deixar o palco: “Todos nós queremos um Brasil melhor. O papel da Justiça Eleitoral é fazer isso de uma forma indireta. Não podemos torcer por ninguém”.
Com ingressos a R$ 800, a festa organizada pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) em homenagem a Nunes Marques reuniu autoridades e artistas, que ficaram em uma área vip ao lado do palco, com segurança reforçada e um carrinho exclusivo de bebidas refinadas, bem mais caras do que as oferecidas ao público geral.
Os cantores Gusttavo Lima, Zé Vaqueiro, Fagner, Dudu Nobre, Jorge Aragão, Henrique & Juliano, Léo Foguete, Ivo Meirelles, Sombrinha, Xand Avião e Edson Lima circulavam no mesmo espaço onde o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumava charutos. Gusttavo Lima abraçou efusivamente o novo presidente do TSE.
O ex-técnico pentacampeão brasileiro de futebol Vanderlei Luxemburgo, pré-candidato ao Senado pelo Podemos de Tocantins, também estava no camarote. Tem Nunes Marques como um “amigo”, disse.
Apesar de algumas mesas estarem com as placas “reservado – ministros do STF”, só dois deles compareceram, e por pouco tempo: Gilmar Mendes e André Mendonça, que tomou posse como vice-presidente do TSE. Em uma das homenagens que recebeu no palco, Nunes Marques pediu que os músicos chamassem Mendonça à ribalta, mas ele já tinha ido embora discretamente.
Dudu Nobre era um dos mais entusiasmados com a festa. “Kassio é meu amigo, meu padrinho. A gente vai no samba e vamo que vamo!”, disse o artista.
Poucos minutos antes, Dudu Nobre dividiu o palco com o magistrado. Cantaram a música É Hoje, o famoso samba-enredo de 1982 da União da Ilha do Governador. No trecho “É hoje o dia da alegria”, Dudu emendou: “É hoje o dia, Kassio Nunes!”.
Já na canção Moleque Atrevido, composta por Jorge Aragão, no lugar do verso “Respeite quem pôde chegar aonde a gente chegou”, Aragão viu Dudu Nobre lançar mão de uma licença poética na capital federal: “Respeite quem pôde chegar aonde o Kassio chegou!”./AE
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