A pesquisa foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O instituto entrevistou presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do país.
No geral, 96,2% dos entrevistados disseram ter medo de ao menos 1 das 13 situações apresentadas na pesquisa. Outros 3,8% responderam não ter medo. A margem de erro nesses casos varia entre 0,8 e 4,2 pontos percentuais.
Tipo de medo
Em %
Tem medo
96,2
Ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular
83,2
Ser roubado(a) à mão armada
82,3
Ser morto durante um assalto
80,7
Ter o celular furtado ou roubado
78,8
Ser roubado ou assaltado na rua
78,6
Ser vítima de bala perdida
77,5
Ter sua residência invadida ou arrombada
76,1
Ser assassinado
75,1
Ser vítima de agressão sexual
66,2
Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto
65,3
Ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária
59,6
Andar pela sua vizinhança depois de anoitecer
47,6
Ser vítima de agressão física pelo parceiro(a) íntimo(a) ou ex
42,2
Não tem medo
3,8
O medo de ser vítima de um golpe ou de perder dinheiro pela internet ou celular foi citado por 83,2%. A menção ao medo de ser roubado à mão armada atingiu 82,3%.
O receio de ser morto durante um assalto acumulou 80,7%, e o de ter o celular furtado ou roubado, 78,8%.
Quando os dados são divididos por gênero, entre as mulheres atingem o maior percentual o medo de ser roubada à mão armada e o de cair em golpes digitais, ambos com 86,6%.
Também superam a faixa dos 80% entre elas as seguintes situações: o de ser morta durante um assalto (86,2%), de ter o celular roubado ou furtado (83,6%), de ser vítima de agressão sexual (82,6%), de ser vítima de bala perdida (82,3%), de ter a residência invadida ou arrombada (82,6%), de ser roubada ou assaltada na rua (83,2%).
No caso dos homens, nenhuma das situações chegou a 80%. As mais próximas foram o medo de ser vítima de golpes digitais (79,6%) e de ser roubado à mão armada (77,7%).
Você diria que tem medo de:
Por recorte de gênero, em %Mulheres Homens
Ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular
86,6
Ser roubado(a) à mão armada
86,6
Ser morto durante um assalto
86,2
Ter o celular furtado ou roubado
83,6
Ser roubado ou assaltado na rua
83,2
Ser vítima de agressão sexual
82,6
Ter sua residência invadida ou arrombada
82,6
Ser vítima de bala perdida
82,3
Ser assassinado
79,6
Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto
69,6
Ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária
65,5
Andar pela sua vizinhança depois de anoitecer
56,8
Ser vítima de agressão física pelo seu marido/esposa/parceiro(a)
48,6
Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. A margem de erro para o recorte de gênero é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos
Os entrevistados pelo Datafolha também responderam se alteraram seu comportamento em razão do medo. O maior percentual, de 36,5%, é daqueles que disseram ter mudado de percurso. Além disso, 35,6% afirmaram que deixaram de sair à noite e 33,5% responderam que deixaram o celular em casa por medo de ser assaltado.
Nos últimos 12 meses, por medo da violência você já
Mudança de comportamento, em %
Mudou um percurso rotineiro?
36,5
Deixou de sair à noite?
35,6
Deixou de sair com o celular por medo de ser assaltado?
33,5
Retirou aliança ou outros acessórios pessoais para andar na rua?
26,8
Deixou de adquirir um bem por medo de ter esse bem roubado/furtado?
22,5
Mudou algum outro comportamento?
19,4
Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. Margens de erro variam de 1,7 ponto percentual a 2,1 p.p., para mais ou para menos
O medo da violência tem reflexo direto sobre o cotidiano delas.
Segundo o Datafolha, 40,9% das entrevistadas disseram que deixaram de sair à noite nos últimos 12 meses por medo da violência e 37,8% que não foram às ruas com o celular por medo de assalto. Nos dois casos, os percentuais são menores para as respostas dos homens, 29,8% e 28,9%, respectivamente.
Nos últimos 12 meses, por medo da violência você já:
Por recorte de gênero, em %FemininoMasculino
Deixou de sair à noite
40,9
Deixou de sair com o celular por medo de ser assaltado
37,8
Mudou um percurso rotineiro
37,6
Retirou aliança ou outros acessórios pessoais para andar na rua
27,7
Deixou de adquirir um bem por medo de ter esse bem roubado/furtado
22,2
Mudou algum outro comportamento
19,4
Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. A margem de erro para o recorte de gênero é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos
Segundo o Fórum Brasileiro, “o mapa feminino do medo incorpora, no centro da percepção de insegurança, uma ameaça que para os homens não ocupa lugar equivalente”.
“Em termos analíticos”, acrescenta a instituição, “isso significa que a experiência feminina da insegurança é mais totalizante: ela atravessa a rua, a casa, o corpo e a rotina”.
Você diria que tem medo de, por classe econômica
Tipo de medo, em %Classe A/BClasse CClasse D/E
Ser roubado(a) à mão armada
78,7
Ser vítima de um golpe e perder dinheiro pela internet ou celular
78,8
Ser morto durante um assalto
77,0
Ser vítima de bala perdida
70,7
Ser roubado ou assaltado na rua
74,9
Ter o celular furtado ou roubado
76,8
Ter sua residência invadida ou arrombada
71,4
Ser assassinado
69,1
Ser vítima de agressão sexual
55,9
Ter sua aliança ou outra joia arrancada em um assalto
61,0
Ser agredido fisicamente pela sua escolha política ou partidária
54,9
Andar pela sua vizinhança depois de anoitecer
43,8
Ser vítima de agressão física pelo parceiro(a)/ex-parceiro(a)
32,7
Cálculo a partir da projeção da população com 16 anos ou mais divulgada pelo IBGE em 2025. Fonte: Pesquisa Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais, realizada em 9 e 10 de março. Margens de erro variam de 3 pontos percentuais a 5 p.p., para mais ou para menos
Os números sobre o medo da violência entre as mulheres vêm ao mesmo tempo em que o registro de feminicídios aumenta no Brasil.
Dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no início de maio apontam para um aumento de 7,5% no registro de crimes de feminicídio no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.
Foram 399 mulheres mortas entre janeiro e março de 2026, o maior número para um primeiro trimestre nos 11 anos de série histórica. No ano passado, no mesmo período, foram 371 vítimas.
A maior quantidade absoluta de vítimas de feminicídios por estado foi registrada em São Paulo, com 86 vítimas, o que representou um recorde local. Nas demais cidades paulistas, o aumento foi de 41% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Parte dos casos ganhou repercussão nacional, a exemplo do episódio envolvendo Tainara Souza Santos, 31. Ela morreu depois de ficar 25 dias internada após ter sido atropelada e arrastada por um quilômetro por um homem apontado como ex-companheiro dela. Durante a internação, teve as duas pernas amputadas.
Foi também em São Paulo que morreu a policial militar Gisele Alves Santana, 32. O coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto está preso sob suspeita de ter cometido o crime.
A escalada de violência contra a mulher em território paulista levou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a anunciar no mês passado um pacote de medidas em busca de combater o problema.
As ações incluem a entrega de 69 salas DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em plantões policiais nos próximos meses e a criação de um plano de metas decenal contra a violência doméstica.
Outra medida é a assinatura de termos de cooperação para ampliar a atuação integrada no enfrentamento à violência.
Um dos acordos viabiliza o Circuito Integrado SP Por Todas, iniciativa que levará atendimento itinerante a mulheres em situação de violência doméstica, reunindo serviços de acolhimento, orientação e encaminhamento./Folha SP
(Foto: Reprodução)





