No sábado (25), já circulavam informações —não oficias— de que o jogador seria submetido a processo cirúrgico, sem condições de se recuperar a tempo de disputar a Copa do Mundo.
A seleção brasileira estreia no torneio na América do Norte no dia 13 de junho, contra o Marrocos.
“Quem convive comigo sabe o quanto eu me dediquei e esforcei para estar na minha melhor condição física, mas infelizmente, tenho que cuidar do meu corpo para poder jogar no Real Madrid e na seleção com confiança”, escreveu Militão em publicação no Instagram.
“A todos que me enviaram mensagens de carinho e apoio, meu mais sincero agradecimento. E também a todos que estão ao meu lado, minha família, meus filhos, minha esposa @tainamilitao, saibam que a luta continua, por que o melhor ainda está por vir”, acrescentou o defensor.
Nome de confiança do treinador italiano Carlo Ancelotti, com quem já havia trabalhado no Real Madrid, Militão chegou a ser escalado na lateral-direita em amistoso contra Senegal, em novembro, em meio a falta de opções para a posição.
Danilo, reserva do Flamengo, e Wesley, que se destacou jogando pela lateral no rubro-negro, mas tem atuado na ponta esquerda na Roma, são alternativas consideradas pela comissão técnica para a posição.
“A operação foi realizada pelo dr. Lasse Lempainen sob a supervisão dos serviços médicos do Real Madrid. Militão iniciará sua reabilitação nos próximos dias”, informou o Real em nota.
Médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD, Ricardo Soares explicou que o músculo bíceps femoral fica na parte posterior da coxa e ajuda na desaceleração e na mudança de direção.
“O tratamento pode ser clínico, mas em situações de alta performance, geralmente é optado pelo tratamento cirúrgico. A cirurgia é indicada principalmente quando o paciente tem uma lesão completa do músculo”, afirmou Soares.
Segundo o ortopedista, o tempo estimado de retorno aos gramados varia de quatro a seis meses.
O zagueiro Éder Militão se lesionou durante a vitória por 1 a 0 sobre o Alavés no dia 21, pelo Campeonato Espanhol
Esta é a terceira lesão muscular do zagueiro brasileiro na temporada. A primeira ocorreu em novembro, quando ele perdeu dois jogos.
A segunda ocorreu em dezembro, quando ele também teve uma ruptura do bíceps femoral da perna esquerda, que afetou um tendão. O brasileiro ficou afastado dos gramados por quase quatro meses.
Segundo informações da rádio espanhola Cope, exames realizados pelo clube apontaram que uma cicatriz deixada por essa segunda intervenção acabou reabrindo, forçando a nova cirurgia no atleta.
“A lesão muscular do bíceps femoral é uma das lesões mais comuns no futebol. O que varia bastante é a gravidade da lesão. O músculo pode apresentar lesões parciais, em que apenas parte das fibras é acometida, até lesões em que há ruptura completa das fibras musculares em determinado ponto”, afirmou Adriano Marques de Almeida, presidente da SBRATE (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte.
As lesões musculares são avaliadas conforme sua extensão —em relação ao comprimento da fibra muscular—, em uma escala que começa no “grau um”, de menor gravidade, apenas com estiramento muscular, passando pelo “grau dois”, quando há ruptura de 50% das fibras, e pelo “grau três”, com 50% a quase 100% de ruptura. No “grau quatro”, há a ruptura total da fibra muscular. O Real não informou o grau da lesão de Militão.
No último dia 22, o site especializado The Athletic publicou que o atacante Estêvão, do Chelsea, sofreu uma lesão muscular de grau quatro durante embate com o Manchester United, com sua participação na Copa praticamente descartada.
“Após essa lesão do Militão, é necessário tratamento adequado para permitir a cicatrização do músculo, evitando a formação de fibrose, permitindo a recuperação da mobilidade do osso e da força muscular, sem dor ou qualquer sintoma”, observou Almeida.
O atacante Rodrygo, também do Real Madrid, já é um desfalque certo da seleção brasileira na Copa do Mundo, depois de sofrer a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito, no início de março. O tempo estimadopara a recuperação é de, no mínimo, oito meses./Folha SP
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