“O papa Leão disse coisas incorretas. Ele foi muito contra o que estou fazendo em relação ao Irã, e não se pode ter um Irã nuclear”, disse Trump, acrescentando que o papa era “muito fraco em relação ao crime e outras questões”.
Em resposta aos comentários, Leão XIV disse que não tem “nenhum medo da administração Trump, nem de falar abertamente a mensagem do Evangelho, que é o que acredito ser minha missão aqui”.
As falas de Trump motivaram reações de diversos líderes mundiais. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou como “inaceitáveis” as críticas do presidente dos Estados Unidos ao pontífice.
“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump sobre o Santo Padre. O papa é o chefe da Igreja católica, e é justo e normal que ele peça a paz e condene todas as formas de guerra”, afirmou em nota.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, condenou o que chamou de “insulto” ao pontífice. Em nome do Irã, o líder do país persa afirmou que “a profanação de Jesus, profeta da paz e da fraternidade, não é aceitável para nenhuma pessoa livre”.
A manifestação foi publicada no X e se soma a outras respostas de autoridades políticas e religiosas ao ataque de Trump, que chamou o papa de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa” e o criticou por sua posição sobre o Irã e armas nucleares. Líderes também criticaram uma imagem publicada pelo americano em que ele aparece na figura de Jesus e simulando a cura de uma pessoa.
Também no X, o ex-primeiro-ministro da Itália e ex-comissário europeu Paolo Gentiloni ironizou a controvérsia ao afirmar que o papa não excomungaria Trump, citando “o poder da misericórdia papal”.
Já Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e Educação do Vaticano, avaliou que os ataques revelam um desconforto do poder político diante da autoridade moral do pontífice. Segundo ele, “quando o poder político se volta contra uma voz moral, muitas vezes é porque não consegue contê-la”, acrescentando que, ao tentar deslegitimar Leão XIV, Trump acaba reconhecendo o peso de suas palavras.
Em resposta às críticas, o papa afirmou que não teme o presidente americano e reiterou que sua mensagem está ancorada no Evangelho, defendendo a paz, o diálogo e o multilateralismo.
Líderes católicos também se manifestaram
Lideranças católicas também expressaram nesta segunda-feira, 13, apoio ao papa, que foi duramente criticado pelo presidente dos EUA, após se manifestar sobre a guerra envolvendo o Irã.
A Conferência Episcopal Italiana reafirmou “sua plena comunhão com o Santo Padre Leão XIV”, em comunicado em que “lamenta as declarações dirigidas contra ele nas últimas horas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump”.
“O papa não é um interlocutor político, mas o sucessor de Pedro, chamado a servir o Evangelho, a verdade e a paz”, acrescenta a manifestação.
Pouco antes o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, o Arcebispo Paul S. Coakley, também se manifestou em favor do pontífice. “Estou consternado com a decisão do presidente de escrever declarações tão desagradáveis sobre o Santo Padre. O papa Leão XIII não é seu rival, o papa não é um político”.
O posicionamento de Trump veio após o papa ter denunciado, no fim de semana, a “ilusão de onipotência” que está alimentando a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, e ter exigido que os líderes políticos parassem e negociassem a paz.
O presidente afirmou que Leão XIV deveria “parar de ceder à esquerda radical” e o classificou como “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”.
Também criticou sua posição sobre o Irã, dizendo: “Não quero um papa que ache aceitável que o Irã tenha armas nucleares”. “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão XIV não estaria no Vaticano”, escreveu Trump, acrescentando que o papa deveria “se concentrar em ser um grande papa, não um político”.
A bordo do avião em que viajou para a Argélia nesta segunda-feira, o Papa comentou os ataques. “Não sou político, não tenho intenção de entrar em debate com ele, a mensagem continua a mesma: promover a paz.” Ele também afirmou que não tem “medo da administração de Trump”./AE
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