Dentre os casos de violência sexual, o levantamento aponta assédio, toques sem consentimento, importunação sexual e estupro.
A pesquisa entrevistou 2.032 mulheres, com idades a partir dos 16 anos, em 77 cidades do Ceará entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O estudo também revelou que 95% das mulheres entrevistadas relataram ter medo de sofrer algum tipo de violência, incluindo a violência física, psicológica, doméstica e outros tipos.
Na pesquisa, as entrevistadas foram perguntadas sobre quais tipos de violência elas mais têm medo de sofrer. Como resultado, o levantamento mostra que o principal medo enfrentado por elas é o da violência sexual.
Medo entre mulheres mais jovens
O estudo também detalhou que o medo da violência sexual é generalizado, sendo o mais frequente para todas as faixas etárias. No entanto, o medo está mais presente nas mulheres mais jovens.
Com maior percentual entre cearenses com até 34 anos, os números tendem a diminuir entre mulheres mais velhas. Ainda assim, quase metade das mulheres acima dos 60 anos relatam este medo.
Medo da violência sexual entre mulheres, por faixa etária:
- 16 a 24 anos: 78%
- 25 a 34 anos: 72%
- 35 a 44 anos: 61%
- 45 a 59 anos: 54%
- 60 anos e mais: 43%
Mais da metade já sofreu violência
O estudo também perguntou às mulheres se elas já sofreram algum tipo de violência. A resposta foi “sim” para 51% das entrevistadas. Dentre os tipos de violência vivenciados, o mais frequente foi a violência psicológica.
Tipos de violência já vivenciadas pelas mulheres cearenses:
- 28% – Violência psicológica
- 16% – Violência física
- 15% – Violência sexual
- 11% – Violência doméstica
- 9% – Violência virtual
- 6% – Violência patrimonial
- 8% Violência institucional
- 3% – Violência policial
- 48% – Não sofreram nenhum desses tipos de violência
A violência psicológica foi mais prevalente em todas as faixas etárias, sendo maior entre mulheres de 16 a 24 anos (37%) e menor entre mulheres acima dos 60 anos (16%).
Impunidade dos agressores é fator mais apontado
Dentre os fatores que, na opinião das mulheres ouvidas pela pesquisa, mais contribuem para a insegurança e a violência contra as mulheres no Ceará, a impunidade dos agressores aparece em primeiro lugar.
Fatores que contribuem para insegurança e violência contra as mulheres:
- 37% – Impunidade dos agressores
- 29% – Pouco policiamento
- 28% – Cultura machista
- 27% – Vícios (álcool, drogas) dos agressores
- 26% – Falta de segurança dentro do transporte público
- 20% – Falta de empatia/solidariedade
- 19% – Falta de segurança nos pontos de ônibus e terminais
- 14% – Espaços públicos abandonados
- 12% – Falta de segurança dentro do transporte individual por aplicativos (Uber, táxi, etc.)
- 11% – Despreparo dos agentes da polícia
- 10% – Falta de iluminação pública adequada
- 8% – Falta de canais de denúncia eficazes
- 3% – Não sabe/ Não respondeu
A pesquisa ressalta, ainda, que a cultura machista foi apontada majoritariamente entre mulheres com idades entre 16 e 24 anos (37%) e entre 25 e 34 anos (36%). Para mulheres acima de 60 anos, este fator foi apontado apenas para 16%.
Conforme o levantamento, este aspecto revela diferenças geracionais, visto que as entrevistadas mais jovens enfatizam o machismo, enquanto as mais idosas tendem a minimizar este fator.
Confira outros destaques do levantamento:
- 40% das mulheres afirmaram que mudam hábitos em suas rotinas por medo ou insegurança por serem mulheres. Na maioria dos casos (68%), elas evitam sair sozinhas de casa, principalmente à noite.
- Quando perguntadas sobre ambientes em que se sentem mais seguras como mulheres, a maioria das entrevistadas respondeu que isso acontece em suas próprias casas (83%) e na casa de amigos e parentes (66%).
- Por outro lado, os espaços públicos são percebidos como locais mais inseguros: apenas 10% se sentem seguras no transporte público ou enquanto aguardam em pontos de ônibus e terminais. E 13% se sentem seguras em ruas, praças e parques.
- Dentre os canais de denúncia e apoio às mulheres, os mais conhecidos são o contato da Polícia Militar (71%), a Delegacia da Mulher (57%) e o Disque 180 (56%).
- Para diminuir o medo e a insegurança, a maioria acredita que é necessário aumentar o policiamento nas ruas (56%), aumentar a segurança dentro dos transportes coletivos (36%) e capacitar agentes de polícia para atender casos de violência e assédio contra a mulher (29%)./g1
(Foto: Reprodução)





