Líderes do centrão e da direita avaliam que, em casa, Bolsonaro terá mais condições de fazer articulação política; apesar de estar com limitações de visitas; por estar mais confortável e poder conversar diariamente com o filho, que se tornou seu advogado.
Por outro lado, há a preocupação de que o ex-presidente amplie a interferência na campanha de Flávio; e a influência sobre o filho; e acabe dificultando a formação de acordos sinalizados pelo senador. Integrantes de partidos de direita também temem que Bolsonaro se exceda nas conversas políticas e dê alegações para que Moraes resolva determinar novamente sua prisão.
A avaliação no centrão é de que, em casa, Bolsonaro poderá ser mais bem informado sobre o andamento das eleições deste ano. Esse grupo entende, também, que a domiciliar amplia a influência de Michelle Bolsonaro no clã. Somente a ex-primeira-dama e os médicos terão acesso irrestrito ao ex-presidente.
Flávio, ao se colocar como advogado de Jair, poderá visitar o pai diariamente, mas somente em horário comercial, de segunda a sexta. Ele precisa agendar antes os encontros, que podem durar no máximo 30 minutos. Aos sábados, como filho, ele também pode encontrar Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, aliados temem uma intervenção desmedida de Bolsonaro nos ramos da campanha. A primeira repercussão prática seria o risco de Moraes mandar o ex-presidente de volta ao regime fechado, sob alegação de descumprimento de medidas restritivas.
“Bolsonaro está proibido de usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, direta ou indiretamente, por intermédio de terceiros. O descumprimento das regras implicará a revogação da prisão domiciliar e o retorno ao regime fechado ou, se necessário, ao hospital penitenciário”, informou o STF sobre a decisão de Moraes.
O segundo temor é que Bolsonaro tente atuar politicamente sob forte influência de Michelle, num momento em que Flávio se consolidou como candidato da direita, construindo acordos nos estados. A ex-primeira-dama era vista como alternativa de vice numa chapa com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) concorrendo à Presidência, mas o senador foi o escolhido por Bolsonaro para disputar o Planalto.





