O projeto, apresentado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), prevê, também, a adoção de medidas de acessibilidade sensorial, disponibilização de abafadores de ruído, a instalação de salas de descompressão e o treinamento das equipes de atendimento para melhor acolhimento do público com TEA.
A presidente da Comissão de Esporte, Leila Barros (PDT-DF), elogiou a proposta que descreveu como mais um passo para a inclusão no esporte. Estima-se que no Brasil há 2,4 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde aproxidamente 1,2% da população brasileira, segundo pesquisa divulgada pelo IBGE em 2025.
— Um dos pilares do esporte é a inclusão. E é muito importante a gente ter esses espaços direcionados às pessoas que possuem o TEA. Importante também, acima de tudo, registrar essa união feita claramente em torno da proposta para a aprovação — afirmou Leila Barros.
Torcedores nos estádios
Diversos clubes brasileiros estão atuando em prol da inclusão da comunidade aos ambientes do futebol. Uma das principais medidas adotadas foi a inauguração de salas sensoriais em arenas/estádios para acolher pessoas diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Foi no Corinthians que surgiu o primeiro movimento focado em promover integração e pertencimento no futebol brasileiro. Através de Rafael Souza Lopes e Juliana Prado, a torcida “Autistas Alvinegros” tornou-se referência para outras torcidas na construção deste movimento pela inclusão social aos autistas em estádios de futebol.
Juliana Prado, idealizadora do movimento “Autistas Alvinegros”, comentou sobre a importância da aprovação da proposta por parte do Comissão de Esportes e o que espera com este avanço para os próximos anos nos estádios de futebol.
— Para nós (Autistas Alvinegros), essa não é apenas uma medida de organização, mas um passo essencial para que mais pessoas possam viver o futebol com segurança, respeito e dignidade. Somos um movimento formado também por pessoas autistas e sabemos, na prática, o que é lidar com o excesso de barulho, luz, multidão e a falta de preparo dos ambientes em momentos de sobrecarga. Muitas vezes, o amor pelo futebol esbarra em barreiras que poderiam ser evitadas com estrutura e acolhimento. Por isso, reforçamos que inclusão não pode ser pontual. Ela precisa ser contínua, pensada no dia a dia e em todos os jogos. Garantir esse acesso é permitir que pessoas autistas não apenas estejam nos estádios, mas que realmente se sintam parte deles — disse Juliana Prado./ge
(Foto: Reprodução)





