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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Mangueira se destaca em noite com deboche de Bolsonaro e exaltação a Ney Matogrosso
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Mangueira se destaca em noite com deboche de Bolsonaro e exaltação a Ney Matogrosso

Ultima atualização: 16/02/2026 10:37 AM
Redação
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7 Min. de Leitura
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A primeira noite do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, começou com o público entoando “Olê, olê, olá, Lula”, slogan de campanhas do presidente Lula, homenageado pela Acadêmicos de Niterói

O desfile destacou a trajetória política do petista e fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo, inclusive atrás das grades.

Lula acompanhou a apresentação de um camarote, ao lado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito Eduardo Paes. Durante o desfile, desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola. Janja, inicialmente cotada para desfilar, acabou substituída por Fafá de Belém.

Apesar da empolgação inicial com o slogan de Lula, que também foi refrão do samba, o entusiasmo não foi mantido nas arquibancadas ao longo da apresentação. Um dos carros alegóricos que mostrava o presidente ainda criança, segurando uma estrela, recebeu aplausos, enquanto fotos e bandeiras com seu nome eram vistas entre o público.

Outro ponto alto do desfile foi uma ala com diplomas acadêmicos, em referência à parte do trecho do samba que diz “filho de pobre está virando doutor”.

A homenagem gerou questionamentos sobre possível propaganda eleitoral antecipada, já que Lula deve disputar a reeleição em 2026 —ele já confirmou a candidatura. Partidos de oposição acionaram o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que negou pedidos para impedir o desfile, mas alertou para eventuais irregularidades. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a encenação nas redes sociais.

Na sequência da noite, a Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida uma homenagem a Ney Matogrosso, 84. O cantor desfilou com um figurino luxuoso criado pelo carnavalesco Leandro Vieira, com milhares de cristais verdes, moedas douradas e canutilhos.

As alegorias e fantasias percorreram diferentes fases da carreira do artista, como “O Homem Neandertal”, “Bandido”, personagens do Secos e Molhados e o “Bandoleiro”, ressaltando a postura transgressora e política. Entre os destaques visuais estava um lobisomem de 20 metros com efeitos realistas, apesar de um breve problema técnico na pista.

A bateria fez referência ao álbum “Bandido”, enquanto a rainha Iza surgiu fantasiada de serpente. Ao fechar os olhos, a maquiagem das pálpebras mostrava olhos reptilianos, com a pupila vertical. O enredo destacou a recusa de Ney a rótulos e sua resistência durante a ditadura militar. O ponto alto foi a entrada do cantor na última alegoria, quando cantou e dançou, emocionando o público. Antes de desfilar na avenida, o artista afirmou estar “com o coração a mil”.

Uma das alegorias, inspirada na canção “Sangue Latino”, enfrentou dificuldades para fazer a curva e passar sob o viaduto, provocando uma breve interrupção. Apesar disso, o intervalo não comprometeu o tempo inicial da escola.

Para que Ney pudesse acompanhar a evolução da agremiação, a Imperatriz alterou a ordem das alegorias na concentração, posicionando primeiro o carro em que ele desfilava. A estrutura remetia à busca do prazer, com esculturas simbólicas, anjos brindando com vinho, cisnes e outros elementos alegóricos.

Terceira escola a desfilar, a Portela, maior campeã do Carnaval carioca, entrou na avenida com cerca de 40 minutos de atraso, por decisão da Liesa. A medida foi tomada após um carro da Acadêmicos de Niterói apresentar problemas na dispersão. Embora a Imperatriz também tenha enfrentado dificuldades na saída, seu desfile ocorreu dentro do horário previsto. Para evitar impactos na programação, a liga optou por adiar o início da apresentação da Portela.

A escola, porém, poderá perder pontos no quesito evolução, pois seu último carro apresentou atraso para entrar na avenida, A última ala começou o desfile desacompanhada da alegoria. A saída da Portela da pista ocorreu no último minuto, com correria da bateria e tensão entre os integrantes.

Nas arquibancadas da Sapucaí, o público balançava bandeiras azul e branco enquanto a escola passava. Neste ano, a agremiação emocionou ao resgatar a versão clássica de sua águia, símbolo maior da escola, em branco e em posição de voo, diferente dos carnavais recentes, quando o emblema apareceu em dourado e azul.

Com enredo sobre a realeza negra no Rio Grande do Sul, a escola destacou a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, conhecido como Príncipe Custódio. Ele tornou-se babalorixá e uma das figuras centrais do batuque, a vertente mais antiga das religiões afro-brasileiras no estado, sendo apontado como responsável por difundir rituais religiosos africanos. A Portela busca encerrar o jejum de títulos que dura desde 2017, quando dividiu o campeonato com a Mocidade.

Tradicionalmente ligada a um estilo mais clássico, a azul e branco de Oswaldo Cruz apresentou uma nova faceta na avenida, investindo em tecnologia. A comissão de frente surpreendeu ao exibir um componente “flutuando” sobre a pista, sustentado por um grande drone. Os carros alegóricos apostaram em forte iluminação, e parte das fantasias ganhou efeitos com luzes de Led, como a ala de baianas. As luzes da Sapucaí apagaram para realçar o efeito.

Já a Mangueira foi a escola que mais impactou a Sapucaí, com destaque para o acabamento das fantasias. A verde e rosa fez várias paradinhas e marcou a avenida com cores vibrantes na divisão das alas para homenagear o líder amapaense Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, apresentado como o Xamã Babalaô que protege a amazônia Negra.

O enredo percorreu os chamados cinco encantos: iniciou com rituais indígenas do Turé, atravessou rios tucujus conectando povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, celebrou a medicina ancestral com ervas e curas, destacou manifestações culturais do Amapá como Marabaixo e Batuque culminando na Missa dos Quilombos, e finalizou com Sacaca se transformando na natureza, reafirmando seu papel como guardião da amazônia negra.

O carro intitulado “Engarrafa a Cura, Vem Alumiar” levou cheiros de ervas medicinais à Sapucaí e exaltou Mestre Sacaca como o “doutor da floresta”. A alegoria destacou suas garrafadas medicinais homenageando parteiras e mulheres beneficiadas por seus remédios, com referência ao apelido espiritual, o “preto velho do Amapá”./Folha SP

(Foto: Reprodução)

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