O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou um movimento de aproximação com o União Brasil a partir de Minas Gerais, com potencial para repercutir diretamente na correlação de forças políticas em outros estados, incluindo o Ceará. O eixo dessa articulação envolve o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome preferido de Lula para disputar o Governo mineiro em 2026.
Segundo informações de bastidores, Lula e Pacheco devem se encontrar, possivelmente na próxima semana, ou após o carnaval, para discutir a viabilidade da candidatura ao Palácio Tiradentes e, ao mesmo tempo, tratar da filiação de Pacheco ao União Brasil, movimento que já estaria acertado e deve ser oficializado nos próximos dias. A articulação foi intermediada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado próximo de Pacheco.
A mudança partidária afasta ainda mais o União Brasil de um eventual alinhamento à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula no campo da direita. Com isso, o União Brasil tende a se reposicionar nacionalmente, abrindo espaço para uma aproximação maior com o Palácio do Planalto.
Em Minas Gerais, a movimentação já provoca efeitos internos. O atual presidente estadual do União Brasil, o deputado federal Marcelo Freitas, deve deixar a legenda e migrar para outro partido à direita, com tendência de filiação ao Partido Liberal (PL). Em contrapartida, o deputado federal Rodrigo de Castro, aliado de Pacheco, deverá assumir o comando do diretório estadual do União Brasil. Já o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, é cotado para presidir a federação do União Brasil com o Progressistas (PP) no estado.
No Ceará, o cenário permanece em disputa. O comando da Federação União Progressista é alvo de articulações tanto da oposição quanto da base governista. Nesta semana, o presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner, confirmou encontros e afirmou que a orientação atual é de que a federação fique com a oposição, apoiando a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado. Segundo Wagner, Ciro teria, inclusive, se comprometido a fortalecer a chapa da federação para a Câmara dos Deputados.
Por outro lado, deputados federais Moses Rodrigues (União Brasil), Fernanda Pessoa (União Brasil) e AJ Albuquerque (PP), todos aliados do governador Elmano de Freitas (PT), também estiveram reunidos com a cúpula nacional da federação em Brasília, reforçando a disputa interna pelo controle da aliança no estado.
Apesar das especulações dos dois lados, ainda não há definição oficial sobre o destino da federação no Ceará. Nos bastidores, a possível filiação de Rodrigo Pacheco ao União Brasil em Minas é vista como um ponto estratégico de aproximação do PT com a federação, especialmente por se tratar do segundo maior colégio eleitoral do país. Caso esse alinhamento se consolide, a tendência é de que o movimento influencie positivamente a base governista cearense, reabrindo o jogo político e enfraquecendo a leitura de um alinhamento automático da federação com a oposição no Estado.





