Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que o Senado será peça-chave para a governabilidade do próximo governo. Antes de ser preso, Bolsonaro defendeu publicamente que seus aliados concentrassem esforços na eleição de senadores, destacando que a conquista de uma maioria absoluta; 41 das 81 cadeiras, permitiria ao grupo político exercer influência superior, inclusive, à do próprio presidente da República.
Para alcançar essa meta, o PL vem ampliando negociações com legendas aliadas e apostando na formação de chapas mistas ao Senado, com candidatos que enfrentem menor rejeição do eleitorado. A estratégia prevê, na maioria dos estados, a presença de um candidato próprio do partido e um nome aliado, ampliando o alcance eleitoral da direita bolsonarista.
Parlamentares ligados a Bolsonaro avaliam que uma bancada mais robusta pode facilitar acordos internos, viabilizar uma candidatura própria à presidência do Senado e destravar pautas sensíveis, como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema recorrente no discurso da ala mais conservadora do PL.
Do outro lado do espectro político, o PT também passou a tratar o Senado como prioridade estratégica. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, afirmou que ampliar as bancadas no Congresso é fundamental para garantir estabilidade institucional e sustentação política a um eventual novo mandato de Lula.
Em dezembro passado, a cúpula petista aprovou uma resolução interna que definiu as eleições ao Senado como foco central do partido. O documento aponta a “urgência de eleger uma nova correlação de forças no Legislativo”, sinalizando que o PT pretende atuar de forma mais agressiva na disputa pelas cadeiras da Casa Alta.
Com estratégias distintas, mas objetivos semelhantes, PT e PL entram em rota de colisão em uma eleição que promete redesenhar o equilíbrio de forças no Senado e influenciar diretamente o cenário político nacional a partir de 2027.
Em outubro de 2026, eleitores dos 26 estados e do Distrito Federal irão às urnas para escolher 54 senadores; dois por unidade da federação. Estarão em disputa dois terços das cadeiras da Casa, o que eleva consideravelmente o peso político do pleito e torna o Senado um dos principais alvos das articulações partidárias.





