Os hábitos incluem não fumar, manter um peso saudável, com índice de massa corporal (IMC) abaixo de 30, e praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, diz Carlo Passerotti, urologista e cirurgião do Centro Especializado em Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Outro ponto é ter uma alimentação balanceada. “É recomendado reduzir o consumo de carnes processadas, como salsichas e embutidos, e diminuir a ingestão de laticínios com alto teor de gordura, bem como de bebidas alcoólicas. Tudo isso é algo que pode auxiliar o paciente”, orienta.
O urologista ressalta que peixes como salmão e sardinha, que são fontes de gorduras boas, e alimentos ricos em fibras e grãos integrais estão entre as indicações.
Passerotti também destaca o licopeno, um antioxidante presente nos tomates. Segundo o médico, a substância combate o estresse oxidativo e pode interferir na proliferação das células tumorais.
“Vegetais, principalmente brócolis, couve-flor e couve-de-bruxelas, têm uma associação com menor risco de câncer agressivo”, afirma, explicando que esses alimentos possuem compostos que ajudam a controlar a inflamação e a desintoxicação celular.
“O consumo frequente de soja e alimentos derivados, como tofu e leite de soja, também está ligado à menor incidência e progressão do câncer de próstata. Chá verde também pode, teoricamente, ajudar a retardar a doença”, acrescenta.
Risco genético
Felipe de Paula, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia – Seção São Paulo (SBU-SP), ressalta que a pesquisa indica um impacto positivo das mudanças no estilo de vida para um grupo específico da população. “São para homens com um escore poligênico alto, o que significa que eles têm variações genéticas que predispõem a formação do câncer de próstata.”
As dicas também valem para quem tem histórico da doença na família: avô, pai, irmão ou primo. “Também contam as mulheres da família que tiveram câncer de mama porque a via é a mesma. Casos (de câncer de mama) na família aumentam em duas vezes a chance de ter a doença (câncer de próstata)”, detalha.
O estudo mostra que homens com alto risco genético representam 88% das mortes precoces causadas pelo câncer de próstata.
Importância dos exames
Os especialistas explicam que, diferentemente de outros tipos de câncer, como o de pulmão, que tem uma influência direta do tabagismo, as mudanças no estilo de vida não necessariamente previnem o surgimento do quadro.
Assim, eles ressaltam a importância do rastreamento da doença de forma adequada. “Os tumores de próstata, quando descobertos no início, têm uma taxa de cura maior que 95%”, destaca Felipe de Paula.
De acordo com o representante da SBU, para aqueles sem histórico na família, o recomendado é iniciar o rastreio a partir dos 50 anos. “Nessa idade, começamos com as avaliações rotineiras, que são feitas com exame de sangue, o antígeno prostático específico (PSA), e o exame físico, o exame do toque.”
Para pessoas com risco aumentado, o indicado é começar o rastreio cinco anos mais cedo, aos 45. Homens negros, que têm maior propensão a desenvolver a doença, também devem iniciar o rastreio aos 45 anos./AE





