“O Brasil mudou”, resumiu Riedel em discurso, justificando a troca partidária e decretando, na prática, o fim da presença tucana no comando de estados brasileiros.
A derrocada do PSDB é resultado de uma sequência de derrotas, desencontros internos e perda de identidade. Desde 2022, os governadores Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE) também já haviam deixado a sigla rumo ao PSD.
Da glória à decadência
O auge do partido se deu nos anos 1990, com o plano Real e as vitórias presidenciais de Fernando Henrique Cardoso. Nos anos 2000 e 2010, mesmo derrotado em quatro disputas presidenciais contra o PT, o PSDB se manteve como principal força de oposição, sendo identificado com a bandeira do antipetismo.
Mas a derrota de Aécio Neves para Dilma Rousseff em 2014 abriu uma ferida que jamais se fechou. A Lava Jato desgastou lideranças tucanas, as brigas internas paralisaram a legenda e o bolsonarismo tomou para si o discurso antipetista, deixando os tucanos sem espaço.
Episódios simbólicos marcaram a decadência: da perda de quadros históricos ao vexame nas urnas. Em 2022, em São Paulo, berço do PSDB, a campanha foi marcada pelo episódio em que Luiz Datena agrediu com uma cadeirada o candidato Pablo Marçal, expondo publicamente a desarticulação da legenda.
O ocaso tucano
Sem governadores, sem base sólida no Congresso e sem narrativa política própria, o PSDB perde relevância e assiste à dispersão de suas lideranças. O partido que já foi símbolo da social-democracia brasileira, referência de gestão e eixo central da política nacional, hoje parece restrito a um papel secundário, incapaz de se reinventar.
A saída de Eduardo Riedel, último governador tucano, é mais do que uma troca de sigla: é a certidão de óbito do protagonismo político do PSDB.





