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Ceará Notícias > Blog > Destaques > Câncer raro associado a prótese de silicone é registrado no Brasil; há motivo para preocupação?
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Câncer raro associado a prótese de silicone é registrado no Brasil; há motivo para preocupação?

Ultima atualização: 21/08/2025 10:29 AM
Redação
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5 Min. de Leitura
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Uma brasileira de 38 anos morreu em decorrência das complicações de um carcinoma espinocelular, um tipo de câncer extremamente raro associado ao uso de implante mamário de silicone. Essa é a primeira vez que a doença é registrada no Brasil.

O caso aconteceu em 2023, mas foi descrito neste mês em um estudo publicado na revista Annals of Surgical Oncology. Idam de Oliveira Junior, mastologista e coordenador da pesquisa, destaca que a situação não é motivo de alarde. Desde que o quadro foi descrito pela primeira vez, em 1992, menos de 20 pacientes em todo o mundo foram diagnosticados com a doença.

“É necessário ressaltar que não se trata de um câncer de mama. Apesar de acontecer na mama, ele tem origem na cápsula que reveste a prótese de silicone”, detalha Oliveira, que também é sócio titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e coordenador do Departamento de Mastologia e Reconstrução Mamária do Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo.

De acordo com ele, todas as vezes que um implante é feito, naturalmente uma cápsula fibrosa é formada ao redor da prótese. “Nós ainda não temos um fator causal conhecido, mas a principal hipótese é que um procedimento inflamatório crônico nessa cápsula leva ao desenvolvimento desse tipo raro de câncer”, explica.

Segundo Oliveira, no caso registrado, a paciente havia colocado um implante bilateral com fins estéticos há 18 anos. Em determinado momento, ela percebeu um inchaço na mama esquerda e procurou uma avaliação médica. Foi aí que se identificou a formação de um líquido ao redor da prótese, conhecido como seroma.

Ela passou por exames de imagem e seguiu para uma cirurgia para trocar o implante. No entanto, durante o procedimento, o médico responsável notou que a cápsula da prótese estava diferente. Ele, então, tirou o impante, suspendeu o procedimento e a encaminhou para um centro de referência.

Lá, os médicos detectaram, além do seroma, a presença de um tumor que invadia toda a glândula mamária e a musculatura peitoral. A paciente passou pela retirada da mama, a mastectomia, para remover toda a lesão. Mas o câncer voltou e entrou em metástase — isto é, disseminou-se para outras partes do corpo. Ela morreu cerca de 10 meses após o diagnóstico.

“Apesar de ser um evento raro, o especialista em mama precisa estar atento às manifestações clínicas que o implante pode apresentar e que demandam uma abordagem específica, por meio de métodos de imagem ou biópsia. Isso é essencial para garantir um diagnóstico precoce, capaz de reduzir a alta mortalidade da doença, que tem um comportamento bastante agressivo”, cita Oliveira.

Fatores de risco e prevenção

No estudo, os pesquisadores identificaram que o risco de desenvolver a doença é maior em mulheres que usam próteses há muito tempo, geralmente por mais de dez anos. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos semelhante à Anvisa, recomenda que, a partir do quinto ano após a cirurgia para colocar o implante, as mulheres façam ao menos um ultrassom de mama e, depois, repitam o exame a cada dois anos.

“O paciente com uma prótese de silicone não precisa alterar sua rotina de cuidados ou sair correndo para retirar a prótese por conta desse caso. A paciente precisa ficar atenta aos sinais, como aumento do volume de mama, endurecimento, presença de nódulos. Mas ter uma prótese por muito tempo não quer dizer que vai ter o câncer”, reforça Solange Castro, mastologista do A.C.Camargo Cancer Center.

De acordo com ela, o tempo de uso, por si só, não é motivo para trocar o implante. “O que serve de alerta são os problemas identificados nos exames de imagem, como sinais de ruptura. Mas apenas pelo tempo de uso não indicamos a retirada da prótese”, explica.

Oliveira ainda destaca que as próteses têm um papel fundamental no tratamento do câncer de mama. “A reconstrução mamária muda a vida de mulheres mastectomizadas. A gente não pode criar espaço para o medo. E, de novo, reforço que o carcinoma é uma situação extremamente rara”, pontua. “Nós não podemos deixar que o medo influencie a decisão das mulheres.”/Estadão

(Foto: Reprodução)

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