O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem estruturado silenciosamente o partido no jogo político nacional ao ampliar sua base no Congresso e consolidar a legenda como uma espécie de “governo paralelo”, com forte presença legislativa, mesmo sem ocupar o Palácio do Planalto. A estratégia remonta ao papel que um dia foi desempenhado pelo MDB: grande influência no Congresso, articulação ampla e protagonismo nas pautas centrais da política nacional.
Embora tenha alimentado o projeto de lançar Tarcísio de Freitas à Presidência da República, o sonho de Kassab vem se esvaziando diante dos recentes atritos entre o governador de São Paulo e a ala bolsonarista, sobretudo após críticas públicas de Eduardo Bolsonaro. Ciente da fragilidade do ambiente, Tarcísio tem se voltado à reeleição em 2026, tentando evitar brechas para adversários como Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, que ganham fôlego no cenário político após o fato da taxação de produtos brasileiros pelo governo americano.
Diante disso, Kassab retoma a estratégia original: priorizar a ampliação das bancadas na Câmara e no Senado, principalmente na região Nordeste, território em que o PSD ainda busca consolidar presença. O foco não está na cabeça de chapa presidencial, mas sim na musculatura legislativa, visando recursos do fundo partidário, tempo de televisão e, sobretudo, maior capacidade de influência.
A tática do PSD é pragmática e flexível. Em diversos estados, a legenda não hesita em compor com diferentes espectros ideológicos, de bolsonaristas a petistas, conforme as condições locais. Estados como Bahia, Ceará e Piauí já possuem alianças consolidadas com o PT, demonstrando que o partido privilegia ganhos estruturais a qualquer rigidez ideológica.
No Ceará, o PSD é hoje um aliado estratégico do governador Elmano de Freitas (PT). A sigla, que atualmente conta com três deputados federais, busca ampliar sua presença na Câmara para cinco parlamentares e projeta também a eleição de um senador em 2026. Neste cenário, nomes como Domingos Filho e Domingos Neto ganham centralidade nas articulações, com negociações em curso para reforçar a posição da legenda no estado.
Com recursos, capilaridade e uma estratégia definida, o PSD de Kassab emerge como um dos principais atores de bastidores da política brasileira, com potencial para se tornar ainda mais decisivo na composição de maiorias legislativas e na governabilidade dos próximos ciclos políticos.
(Por Reginaldo Silva)






