A expectativa de uma disputa real foi minada por regras que dificultaram a formação de chapas alternativas. Com a destituição de Ednaldo Rodrigues e a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o processo eleitoral da CBF voltou a seguir as normas previstas no estatuto de 2017, desconsiderando as mudanças posteriores. Com isso, uma candidatura passou a necessitar do apoio de ao menos oito federações estaduais e cinco clubes com direito a voto — patamar que nenhuma oposição conseguiu alcançar.
Na última semana, 32 dos 40 clubes com direito a voto declararam apoio a Reinaldo Carneiro Bastos. No entanto, no dia seguinte ao anúncio, duas agremiações mudaram de posição. Mesmo assim, o cenário expôs o abismo entre a vontade dos clubes e a posição tomada por seus representantes nas federações estaduais.
Clubes das federações do Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco e Ceará manifestaram apoio à candidatura de Bastos. Ainda assim, as respectivas federações optaram por subscrever a chapa de Samir Xaud. No Rio Grande do Sul, Juventude e Internacional apoiam Bastos, enquanto o Grêmio está ao lado de Xaud. Em Santa Catarina, Avaí e Chapecoense seguiram com Bastos, enquanto o Criciúma ficou com o candidato roraimense. Em São Paulo, bastião político do dirigente paulista, o único clube a não apoiá-lo foi o Palmeiras.
O contraste entre a posição dos clubes e as decisões das federações estaduais reforça um modelo de governança questionado há anos no futebol brasileiro. Apesar da crescente mobilização dos clubes por maior protagonismo e transparência, o controle das federações sobre o processo eleitoral da CBF segue sendo o fator determinante para a escolha de seu presidente — cenário que deve se repetir neste novo pleito.
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