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Ceará Notícias > Blog > Destaques > 74% das mulheres dizem já ter sofrido assédio, aponta pesquisa em 10 capitais brasileiras
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74% das mulheres dizem já ter sofrido assédio, aponta pesquisa em 10 capitais brasileiras

Ultima atualização: 05/03/2026 9:42 AM
Redação
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5 Min. de Leitura
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Três a cada quatro mulheres dizem já ter sofrido assédio em algum momento da vida, aponta a Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026. A maioria delas relata ter sido assediada na rua ou no transporte público.

A pesquisa foi feita pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec, com apoio do Sesc-SP e da Fundação Grupo Volkswagen.

O levantamento foi feito com 3.500 pessoas com mais de 16 anos moradoras de dez capitais brasileiras: Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia. As entrevistas foram feitas de forma online, entre os dias 2 e 27 de dezembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo o levantamento, 74% das mulheres disseram já ter sofrido assédio em algum momento da vida, 56% relataram que a agressão ocorreu na rua ou em algum outro espaço público (como praça, parque ou praia) e 51% no transporte público.

Além disso, 38% disseram ter sido vítimas de assédio no trabalho e 28%, dentro do ambiente familiar.

Ainda 33% disseram ter sido assediadas em bares e casas noturnas e 17% dentro de transporte particular, como táxi ou carros por aplicativo.

Jennifer Caroline Luiz, supervisora da área de gestão da Fundação Volkswagen, diz que o número de mulheres vítimas de assédio pode ser ainda maior do que o captado pela pesquisa. “Existe a dor, a vergonha em admitir ter sido vítima dessa situação. Então, pode ser que o número seja maior, mas o formato da pesquisa, com entrevistas online, pode diminuir esse risco.”

Mulheres que dizem já ter sido vítimas de assédio*

Em %

Manaus

72

Belém

70

Fortaleza

68

Recife

77

Salvador

73

Belo Horizonte

68

Rio de Janeiro

77

São Paulo

74

Porto Alegre

79

Goiânia

76

Total

74

* A pesquisa ouviu 3.500 pessoas, em entrevistas online, entre os dias 2 e 27 de dezembro; a margem de erro é de 2 pontos percentuais

Fonte: Instituto Cidades Sustentáveis

Local onde as mulheres relatam já ter sido assediadas*

Em %

Na rua/ outro espaço público (praça, parque, praia)

56

Dentro do transporte público

51

Dentro do ambiente de trabalho

38

Em bares e casas noturnas

33

Dentro do ambiente familiar

28

Dentro de transporte particular como Moto-táxi, táxi, UBER e 99

17

* A pesquisa ouviu 3.500 pessoas, em entrevistas online, entre os dias 2 e 27 de dezembro; a margem de erro é de 2 pontos percentuais

Ela destaca ainda que o grupo etário com maior incidência de mulheres que relataram ter sofrido assédio foi o de 45 a 59 anos.

“Se por um lado, mulheres mais jovens, da faixa de 16 a 24 anos, podem ter mais facilidade em reconhecer as situações de assédio e denunciá-las, por outro, as mulheres com mais idade vivem em um contexto em que o mais machismo é mais presente e foi mais naturalizado. Por isso, podem ter sofrido mais com esse tipo de situação.”

O levantamento também questionou os entrevistados sobre medidas que consideram eficazes para combater a violência doméstica e familiar. A medida mais citada por elas (59%) foi aumentar as penas para quem comete violência contra mulher. Em seguida, 52% delas disseram que seria ampliar os serviços de proteção a mulheres em situação de violência em todas as regiões da cidade.

Para os homens, essas também foram as duas medidas mais citadas, tendo sido respondidas por 48% e 45%, respectivamente.

A pesquisa incluiu ainda perguntas para entender a percepção de igualdade de gênero entre os entrevistados e encontrou diferenças significativas entre homens e mulheres.

Para 51% deles, os afazeres domésticos de suas casas são divididos igualmente entre homens e mulheres. Enquanto, apenas 29% das mulheres relataram que a divisão é igualitária.

Além disso, 28% dos entrevistados do sexo masculino disseram acreditar que os afazeres domésticos são de responsabilidade de homens e mulheres, mas reconheceram que elas fazem a maior parte. Entre as mulheres, 43% afirmaram que fazem a maior parte.

“A sobrecarga feminina é mais percebida pelas próprias mulheres. Há uma tendência de alguns homens aumentarem a percepção de que o trabalho doméstico é uma responsabilidade compartilhada, mas eles acham que está sendo dividido igualmente, enquanto elas não percebem o mesmo. Isso traduz a desigualdade de gênero”, diz Jennifer./Folha SP

(Foto: Reprodução)

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