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Enem tem questões com a música ‘Admirável Gado Novo’ e indígenas

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O primeiro dia de provas do Enem 2021 teve questão com a música “Admirável Gado Novo”, do cantor Zé Ramalho, sobre populações indígenas e carcerária do país.

O exame começou neste domingo (21) com as provas de ciências humanas, linguagens e redação.

Análise de professores de cursinho é de que a prova não veio com a “cara do governo”, como disse o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e trouxe questões que abordaram minorias e direitos humanos.

O professor de história, Guilherme Freitas, da escola Seb Lafaiete, diz que a questão com a música de Ramalho pedia ao candidato que interpretasse um trecho da letra da canção e a relacionasse com a exclusão vivida pela população.

“Surpreendentemente, diante de todas as denúncias que cercaram o Enem nos últimos dias, a prova voltou a trazer questões que abordam a história contemporânea brasileira. Ainda que a ditadura militar não tenha sido abordada, outros períodos importantes apareceram”, conta Freitas.

Às vésperas do início do Enem, servidores do Inep, órgão responsável pela elaboração da prova, fizeram uma série de denúncias sobre assédio moral que sofreram para suprimir perguntas com temas considerados inadequados pela gestão do órgão.

A Folha mostrou que o próprio presidente pediu ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, para que houvesse questões que tratassem o Golpe Militar de 1964 como uma revolução.

Nenhuma questão da prova abordou a ditadura militar no país. Desde o início do governo Bolsonaro, o período histórico foi suprimido da prova.

“Ainda que não tenha abordado a ditadura militar, a prova deste ano voltou a falar da história contemporânea, o que é muito positivo e importante. O exame trouxe duas questões sobre Getúlio Vargas”, diz Freitas.

Gabryel Real, gerente de processos avaliativos da SAS Plataforma de Educação, diz que a prova manteve o padrão de anos anteriores ao abordar temas sociais importantes.

“Apesar das polêmicas, alguns temas resistiram e foram abordados na prova. Não houve nenhuma menção ao grupo LGBTQIA+, mas as questões falaram sobre indígenas, quilombolas, discriminação às mulheres, racismo. É muito importante ver que esses temas permanecem no exame.”

Apesar das denúncias de pressão, a prova teve ao menos duas questões sobre a situação dos indígenas no Brasil. Uma delas tratava da ameaça de mineradoras às áreas de reserva indígena.

Também trouxe questões sobre a desigualdade de gênero. Um dos itens, por exemplo, falou sobre as dificuldade de mulheres cientistas no século 19 diante da exclusão que sofriam com a sociedade patriarcal.

Outro item falou sobre a erotização de corpos femininos e outro trouxe uma charge do Henfil para tratar do impacto social na vida da mulher após a maternidade.

A prova também abordou a questão racial, com ao menos três perguntas sobre a escravidão, uma delas com a música Sinhá, de Chico Buarque. Um dos itens também trouxe um texto do Observatório da Discriminação Racial do Futebol que falava sobre como jogadores negros foram usados para justificar a derrota da seleção brasileira na Copa de 50.

Uma das questões trouxe um texto do filósofo Deleuze para debater o conceito de minorias. Um trecho de um texto de Friedrich Engels, coautor do Manifesto Comunista com Karl Marx, também foi levado à prova.

O tema da redação também surpreendeu os educadores por ter mantido o padrão de anos anteriores ao abordar assunto relacionado aos direitos humanos. Os candidatos tiveram que fazer uma dissertação sobre a “Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil’./Folha SP


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