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O PT precisa participar de atos apartidários, para não correr o risco de sofrer o efeito Paris

Por Reginaldo Silva

PT e Psol utilizaram a máxima popular ” quem pariu Matheus que balance” em relação aos protestos deste domingo 12 de setembro em várias capitais do País. Movimento convocado pelo MBL e Vem Pra Rua que também defenderam o impeachment de Dilma. Os dois partidos deram de ombro em relação as manifestações como forma de revanche aos dois movimentos, mesmo sabendo que a causa era mais nobre, a defesa da democracia.

As manifestações não tiveram adesão popular e demonstrou para o centro que ainda existe um longo caminho a percorrer até consolidar uma candidatura de frente ampla que possa derrotar a direita ou a esquerda.

Acusações de ambos os lados, minimização dos efeitos negativos por parte de quem aderiu ao movimento, por outro lado, alegria dos bolsonaristas e mimimi da esquerda relembrando os apoiadores do impeachment de Dilma, mas não reclamam de emedebistas que participaram diretamente do impeachment e hoje apoiam o ex-presidente Lula.

Certa vez o dramaturgo e escritor, Nelson Rodrigues, escreveu: “se os fatos estão contra mim, pior para os fatos”. O centro percebeu que não tem militância para colocar na rua e fazer frente aos extremos que mantém suas militâncias ativas e em pé de guerra constante.

O fato é que na eleição para presidente de 2018, Ciro Gomes, desiludido com a derrota e com o PT, cruzou os braços e viajou para Paris, veio votar, mas não fez campanha e o final da história todos sabem.

O PT não precisa defender e muito menos fortalecer as candidaturas de terceira via, mas não pode deixar de fortalecer a bandeira da democracia defendida por todos e fazer atos apartidários para assegurar o regime vigente que não está tão seguro quanto o PT pensa que está.

Ciro foi feliz em sua declaração quando questionado pela ausência do PT nas manifestações do dia 12 de setembro: “haverá tempo para o PT amadurecer”, mas o tempo urge e 2022 está logo ali.

Em um eventual segundo turno, entre Lula e Bolsonaro, se a grande maioria da terceira via resolver ir para Paris, o fim pode ser ainda mais trágico, como na peça de Nelson, aqui, com a permissão literária que a escrita nos permite, o título será refeito e atualizado pelo autor e “Toda Ação do PT Será Castigada”.

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