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Como Identificar Sinais de Uso Abusivo de Drogas

Guerra analisa que a situação atual pode trazer reflexos na população em um futuro próximo. “É um cenário preocupante para o próximo ano”, afirma. “Com o retorno gradativo das atividades presenciais, muitas pessoas devem manter esse hábito e outras, desenvolverem dependência.”

No processo até se tornar um problema social e de saúde, o usuário tende a apresentar indícios de que vai perder o controle sobre o uso da droga, dizem especialistas. Mesmo para as lícitas, como o álcool. Sentir necessidade de consumir de forma contínua ou receber alertas de pessoas mais próximas sobre alterações de comportamento são sinais importantes para procurar ajuda e evitar abusos. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

‘O COMUM É TER UM QUADRO DE ONIPOTÊNCIA E NEGAÇÃO’

●  Diferentes dados e estudos apontam para o aumento de problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas na pandemia. A saúde mental também se torna objeto de maior atenção. Qual é a avaliação do senhor sobre o cenário?

Ninguém sabia que pandemia iria provocar esse estrago gigantesco na saúde mental. A gente também não sabe como tudo isso vai acabar, daí vem insônia, depressão, ansiedade, medo, ataque de pânico. O álcool e as drogas acabam por ser quase que a ponta do iceberg. Temos visto que o home office, em vez de ajudar, trouxe mais liberdade para consumir de forma contínua e repetitiva dentro de casa. As pessoas estão bebendo mais e mais cedo. É um cenário preocupante para o próximo ano. Com o retorno gradativo das atividades presenciais, muitas pessoas devem manter esse hábito e outras, desenvolverem dependência.

●  É possível fazer uso de álcool de forma controlada e segura. Em que momento precisa ligar o alerta? É possível identificar alguns sinais?

O álcool é muito calórico. Se você aumentou de peso de forma considerável na pandemia, — 2, 3, 4 ou 5 quilos —, cuidado. O segundo ponto: será que consumir álcool virou um ritual? Todo dia, às 19 horas, você precisa tomar um vinho, um drinque, e conta as horas para chegar esse momento? Terceiro: você sente prejuízos por causa do consumo? É preciso ter atenção à amnésia alcoólica. Por exemplo: quando a pessoa fala, escreve uma mensagem no Whatsapp ou manda e-mail e tem de consertar as coisas no dia seguinte. Quarto ponto: será que familiares, amigos, colaboradores, quem está no seu entorno, percebem que alguma coisa não está tão bem? O último sinal é você mesmo. Consegue ficar um tempo sem beber ou não consegue cumprir uma promessa de passar duas semanas em abstinência?

●  Existe um ponto de virada?

Hoje, a gente sabe que é um contínuo. A questão do álcool parece estar associada a outros fatores, como culturais. Ambientes em que todo mundo bebe são incentivo para usar mais, por exemplo. Também há fatores psicológicos, associados à ansiedade ou depressão, quando acaba servindo como uma espécie de bengala. Como médico, destaco ainda fatores biológicos. Há pessoas que conseguem “beber mais”, sem ter quadro de embriaguez. Essas pessoas ficam mais vulneráveis depois e acabam tendo dependência mais cedo.

●  Ao reconhecer o problema com álcool, a quem devo recorrer?

Dificilmente a própria pessoa fala: “passei do ponto”. O comum é ter um quadro de onipotência e negação, de achar que parar quando quiser. Normalmente, são as outras pessoas que falam que ela passou do ponto. Em caso de necessidade de ajuda, a pessoa pode procurar alguém da área da saúde. Às vezes, pode ser um psicólogo, clínico, cardiologista, ginecologista: alguém que ela tenha confiança./AE

 

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