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Camilo precisa de um mandato de senador para herdar o patrimônio político de Lula

Por Reginaldo Silva- Professor- Radialista e Jornalista

Lula é um fenômeno eleitoral, ninguém tem mais dúvida disso. O ex-metalúrgico que virou presidente foi um dos fundadores do PT na década de 80, de lá para cá, consolidou sua marca no Brasil e no Mundo. O partido dos Trabalhadores foi fundado por militantes de oposição à Ditadura Militar, intelectuais, sindicalistas e católicos ligados a Teologia da Libertação. O partido também se consolidou no País, mas, a estrela de Lula brilhou mais do que a estrela  petista.

O ex-ministro e presidenciável Ciro Gomes (PDT), certa vez disse que Lula é incapaz de querer alguém por perto que faça sombra a ele. Dentro do PT, Lula reina de forma soberana, a sigla não conseguiu promover alguém que possa herdar a herança política de Lula dentro do próprio partido. Quem mais se aproximou dessa condição de sombra, foi o professor, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele foi apontado como candidato pelo ex-presidente Lula para concorrer as eleições presidenciais de 2018.

Lula preso e impossibilitado de participar das eleições, jogou todas as fichas no pupilo Fernando Haddad que perdeu para Bolsonaro. O antipestismo falou mais alto. Acuado pela Lava Jato e tragado por uma onda gigantesca de corrupção que envolveu os maiores caciques do partido, o ex-prefeito de São Paulo perdeu a grande chance de se tornar o substituto do ex-presidente Lula.

Quatro décadas depois da fundação do partido, surge então, uma estrela no fim do túnel, Camilo Santana. O governador do Ceará, embora não seja considerado dentro do próprio partido um petista raiz, ele vem ganhando espaço em nível nacional. Indicado ao governo do Estado pelos irmãos Ferreira Gomes, Camilo Santana ganhou brilho fora da luz petista e passou a ser visto de forma diferente, graças a gestão implementada no Ceará durante a pandemia. Humano, manso e defensor do diálogo em tempos de crise, Camilo conta com a aprovação da maioria dos cearenses e tem hoje, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais no Estado, a preferência de mais da metade da população para ocupar uma vaga no Senado Federal.

Lula também lidera as pesquisas para presidente, mas já tem 75 anos. A caminho dos 80, o ex-presidente não dá sinas de que quer passar o bastão, também não viu ninguém com envergadura política que o force a tomar essa decisão. Os grandes caciques do PT, desde a época da formação do partido ficaram no passado, tentando se livrar de processos que correm na Justiça por conta do lavajatismo. Hoje, não teriam força ética, moral e cacife político para levantarem o cajado do PT e atravessar esse deserto em meio a essa onda bolsonarista.

Lula continua maior que o PT, bem como continua sem sombra política dentro da sigla. Ou o partido, ou o próprio Lula começam a pensar em alguém que possa sobreviver após a era lulista, ou ambos serão tragados pelo tempo, sucumbirão como répteis pré-históricos, o mesmo poder que os produziu os liquidou.

Camilo precisa de um mandato de senador para herdar a herança política de Lula no PT, ou quem sabe, seja melhor fazer a sua estrela brilhar em outra constelação partidária, que permita desde de cedo a propagação da luz de outras estrelas.

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