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Em tempos de pandemia, especialista explica como lidar com o luto

Durante esse período da pandemia muitas famílias perderam entes queridos e não conseguiram lidar com a situação. As pessoas reagem de forma diferente ao luto, algumas tem um luto mais prolongado que pode acabar evoluindo para um problema de saúde ainda maior.

O psiquiatra e diretor clínico do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Helder Gomes, explica a diferença entre Luto normal e luto patológico.

Para ele, o luto é uma resposta emocional encontrada quando existe uma perda significativa para o indivíduo. O tempo de duração do luto é particular. Alguns podem demorar meses, outros anos. Mas considera-se que o primeiro ano seja o mais difícil. “Após a morte de um familiar ou de um amigo são normais os sentimentos de angústia, tristeza, choro frequente, dificuldade para adormecer, falta de apetite, mal estar e até tremores pelo corpo. A pessoa que vai melhorando desses sintomas ao longo do primeiro ano tende a ter um luto normal”, pontua.

Existem alguns estágios pelos quais o indivíduo que está passando pelo período de luto pode experimentar. O primeiro deles é a negação. No segundo estágio podem surgir sentimentos de raiva, revolta e ressentimentos. O terceiro é a barganha, onde a pessoa começa a negociar essa dor, pensando o que poderia ter sido feito diferente e o que foi cometido de errado em relação às situações do passado. O estágio seguinte seria a depressão, com uma tristeza mais intensa, angústia e choro. O quinto estágio, quando as coisas começam a caminhar de forma mais tranquila, é a aceitação, trazendo um novo significado tanto para a perda quanto para a sua vida futura.

Nesse período de infecção por Covid-19, onde a recomendação é que o paciente permaneça internado sem acompanhante e que os velórios e sepultamentos sejam limitados a uma quantidade menor de pessoas, muitos familiares não estão conseguindo materializar a perda de forma adequada.“Justamente por esse processo não ser vivenciado de uma forma mais próxima, pode ocorrer um luto patológico, quando a pessoa enlutada evolui com sintomas de ideação suicida, discurso que deveria ter morrido no lugar daquela que partiu, pensando que seria melhor morrer para encontrar-se com o familiar falecido. Esses sintomas, quando não tratados, podem piorar com o tempo, comprometendo a qualidade de vida da pessoa”, ressalta o psiquiatra.

Luto precisa ser vivenciado

Para melhorar os sintomas do luto, uma das principais indicações é aguardar o tempo. “Quanto mais o tempo passa, os sentimentos que eram negativos vão se tornando positivos e as lembranças boas da pessoa falecida tornam-se a principal condição futura. Diferente do luto patológico, em que esses sentimentos depreciativos continuam muito fortes ao longo do tempo”.

O especialista recomenda que todas as pessoas que tenham perdido alguém próximo neste período de pandemia possam passar por terapia com psicólogo para conversar sobre essa perda, sobre a relação familiar, as estratégias que serão utilizadas para enfrentar esse momento difícil e para que haja entendimento que o período de luto é normal e que precisa ser vivenciado por alguém que teve uma perda importante nos últimos dias.

“Quando há o luto patológico, com sintomas mais graves e mais prolongados, existe a necessidade do paciente ser assistido por uma equipe de saúde mental, composta por psiquiatra, psicólogo e terapeuta ocupacional. Pode ser necessário o uso de antidepressivos para que haja o restabelecimento da saúde mental de forma mais rápida e com mais qualidade de vida”, frisa Gomes.

(Com informações da Sesa-CE)

 

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