/Documentário sobre Pelé na Netflix é uma mistura histórica de futebol, política e muita arte. Por Reginaldo Silva

Documentário sobre Pelé na Netflix é uma mistura histórica de futebol, política e muita arte. Por Reginaldo Silva

Pelé chega caminhando com o apoio de um andador, senta-se e começa a falar da sua trajetória de vida, intercalando aos questionamentos da produção do documentário da Netflix que conta sua história de vida.

O documentário é uma mistura futebol, política e muita arte, intecalando as hisória das Copas jogadas por Pelé e o momento político que vivia o Brasil. Participam da narrativa os jornalistas Juca Kfouri, José Trajano, o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o cantor e ex-ministro Gilberto Gil, além de personalidades do mundo do futebol do Santos e da seleção tricampeã dos anos 70.

Da infância difícil ao maior ídolo do futebol mundial, o documentário mostra a relação que Pelé teve com o governo dos militares no período da Ditadura Militar. O maior astro do futebol brasileiro e considerado o atleta do século, Pelé revela  que nunca teve pretensão de se envolver com a política, sua única preocupação era com o mundo da bola, mas confirma que recebeu pressão do governo dos militares para jogar a Copa de 70.

Pelé foi campeão mundial com apenas 19 anos, tornando-se a revelação da Copa de de1958. Em 62, já considerado o melhor jogador do mundo, Pelé se machucaria na segunda partida contra a Tchecoslováquia e ficaria o resto do torneio mundial fora da competição, mas ganharia o segundo título mundial. Já em 66, na Inglaterra, considerado um gênio do futebol, Pelé pouco conseguiu andar dentro de campo devido ao forte esquema de marcação dos adversários, voltou a se contundir e o Brasil foi eliminado, após a partida Pelé declarou que nunca mais jogaria uma copa do Mundo.

No Brasil, vivia-se a efervescência da Ditadura Militar, Pelé declara que sempre foi bem trado pelo regime e que não tinha razão de se contrapor publicamente ao governo dos militares. Em 68, após a instituição do  AI-5, o Brasil vivenciou o pior momento de repressão política dos militares. Muitos colegas e artistas esperavam que Pelé se manifestasse contra o período de opressão, mas o ídolo nacional nunca disse uma única palavra sobre o assunto publicamente.

O jornalista José Trajano, declara no documentário que os dias eram tão difíceis naquela época que alguns jornalistas que foram cobrir a Copa de 70, não queriam que o Brasil ganhasse a Copa, para o regime militar não ser beneficiado, mas voltaram atrás, quando a bola começou a rolar e ao verem em campo a atuação magistral da última Copa do Mundo do maior jogar que o planeta terra já viu jogar. Para Trajano e Juca Kifouri, Pelé precisava daquela ganhar aquela Copa, precisa esmurrar o ar, ele trazia alegria e esperança para o povo brasileiro.

Na final da Copa de 70 contra a Itália, Pelé abre o placar e fecha sua participação em mundiais com o passe genial, que encantou o mundo, para Carlos Alberto que fecha a goleada por 4 a 1 e o Brasil conquista a Taça Jules Rimet.

No final do documentário, Pelé diz que o grande presente que se ganha na vitória não é a joia, é o alívio, “é o alívio mesmo”, diz ele, como se chegasse a definitiva conclusão de que as coisas só ocorrem no momento certo, mas temos que estar preparados para não deixar a joia fugir das suas mãos! E conclui dizendo, que a Copa de 70, foi mais importante para o País do que para o próprio futebol.

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