/A Covid-19 varreu a tradição do Carnaval de Nova Russas. Por Reginaldo Silva

A Covid-19 varreu a tradição do Carnaval de Nova Russas. Por Reginaldo Silva

Desde o início da pandemia, o Ceará já registrou 10.741 mortes por Covid-19, somente entre janeiro e os primeiros dias de fevereiro, já são 76 mortes pela infeliz pandemia. O avanço da segunda onda e o medo de que uma nova variante possa ser ainda mais contagiosa e letal levou o governador Camilo Santana a baixar um decreto específico para o período de Carnaval, recomendando que neste ano (2021), não haja fluxo de veículos entre a capital e o interior.

É neste cenário de uma guerra fria, em tempos de paz, que registramos os fatos para que as gerações futuras possam compreender que em 2021, o tradicional Carnaval de Nova Russas foi varrido pela pandemia do novo coronavírus. Mais de cinco décadas de tradição, desde de sua primeira edição, o município nunca havia deixado de realizar a festa momina que transformou Nova Russas como referência entre os maiores carnavais de rua do Estado do Ceará.

Ednásio, Anísio, Loro, Alcebíades, Ailton, Carmo Filho, apenas para exemplificar alguns dos muitos nomes que teceram a fio essa tradição, o Carnaval sempre foi um momento de reencontro dos nova-russenses, tanto dos que vivem aqui, quanto daqueles que moram fora e guardam esse período para voltar ao torrão natal.

Já na sexta-feira, a movimentação era grande no terminal rodoviário, ponto de partida do tradicional Trio Elétrico. Muitos chegando de Fortaleza, por ali mesmo já ficavam no embalo da abertura do Carnaval. O bar do Bilota tornava-se uma referência nas manhãs de sábado, onde muitos se encontravam para combinar os detalhes dos encontros até a quarta-feira de cinzas.

As tradições são criadas para serem quebradas, mas não se esperava que essa tradição fosse interrompida por um vírus tão terrivel. A tradição do Carnaval do Clube, realizado pela elite local, também foi quebrada, mas foi empurrada por uma força popular, não era justo o Trio Elétrico parar meia noite, enquanto a grande massa ficava sem festa, para atender somente a classe mais abastada do município. Foi só a partir da quebra dessa tradição, que o Carnaval de Nova Russas se democratizou de verdade, ricos e pobres se misturaram no mesmo corredor da folia pelas ruas da cidade. Nada de cultura de cancelamento, todos com direitos iguais.

Esse é nosso primeiro dia de Carnaval, apenas de saudosismo e nostalgia, embalado no pensamento na descida do Trio quando todos esperavam para ver a multidão no cruzamento da padaria do Caubi. De Ana Júlia a Sonífera Ilha que empolgava o público na passagem da praça da Estação, ou nas subidas do Progresso embalados ao som de Chame Gente, varre varre vassourinha e outras marchinhas, até a chegada na Churracaria que leva o mesmo nome da avenida.

Existe ainda o respeito religioso, aqueles que não gostam das festas e se refugiam no período para pregar a sua religião, esse número, cresce a cada ano e, em 2021 deve ganhar ainda mais adeptos, mesmo que não possam se reunir por conta das aglomerações que continuam proibidas.

A nossa homenagem aos tradicionais Blocos do Carnaval de Nova Russas que sustentaram toda essa tradição; Expresso Loucura e Sassaricando, os pioneiros, aos mais novos como: Liso Folia e Vumbora Mais Eu, apenas para citar alguns, a nossa gratidão a todos eles, por manterem viva essa chama da bela cultura nova-russense.

Rezemos pelas famílias que tiveram vidas ceifadas por esse vírus cruel, rezemos pelo fim da pandemia e, por fim, rezemos para que em 2022 possamos comemorar a vida e o fim da pandemia e, quem sabe, começar uma nova tradição.

 

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