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Como está a saúde mental no Brasil durante a pandemia?

Não é de hoje que, através da internet e de plataformas multimídia, o debate sobre saúde mental tem crescido. Em terras brasileiras, a discussão não ocorre por acaso: uma pesquisa de 2019 da Organização Mundial no Sáude (OMS) apontou o Brasil como o país mais ansioso do mundo, com 86% da população registrando algum quadro de transtorno mental, como depressão, ansiedade ou estresse severo.

No início de setembro, a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) alertou que a pandemia do novo coronavírus pode facilitar o aparecimento de fatores de risco para o suicídio. Além das perdas humanas, fatores como a ausência de contato físico e as dificuldades econômicas ocasionadas pela Covid-19 também têm tido forte impacto no emocional do brasileiro, que já vinha encarando outras mazelas sociais.

Pesquisas apontam que adolescentes e jovens, por estarem em fase de desenvolvimento emocional, têm sido mais impactados pela crise causada pelo coronavírus. Essa faixa etária já vinha em uma crescente em relação a problemas de ordem mental nos últimos anos, com jovens entre 15 e 29 anos tendo os maiores índices de automutilação e ideação suicida.

Com escolas fechadas e a impossibilidade de socializar com amigos, uma parte muito importante da etapa dessa parte da população está sendo anulada, prejudicando a formação emocional e social dos adolescentes. Ainda que não haja dados precisos, profissionais de saúde têm registrado aumento no número de casos de depressão, ansiedade e de mortes por suicídio nesse público nos últimos meses.

PREVENÇÃO É VIDA

Iniciado em setembro deste ano, em alusão à campanha Setembro Amarelo, o projeto “Ações Integradas de Educomunicação para Prevenção ao Suicídio e da Automutilação” tem como objetivo capacitar profissionais lidam com adolescentes – como educadores, líderes comunitários e religiosos e profissionais da saúde – sobre saúde mental. Com cursos gratuitos, cartilhas e notícias especializadas sobre o assunto, o projeto se torna ainda mais oportuno no contexto da pandemia, segundo a coordenadora executiva da iniciativa, Ana Cristina Barros.

“Quando começamos a construir as ações que seriam realizadas neste ano, jamais imaginaríamos que essas orientações seriam ainda mais necessárias em função de uma pandemia. Já se sabe que existe uma carência muito grande de informação e preparo da sociedade para lidar com essas temáticas em relação aos jovens que se automutilam ou tem ideação suicida; por isso, pensamos em um projeto que pudesse capacitar profissionais e lideranças ligados aos jovens, disponibilizando conteúdos didaticamente abordados de forma assertiva sobre esses temas”, explica.

De acordo com Ana Cristina, a meta dos idealizadores é inscrever até 80 mil participantes de todo o Brasil nos dois cursos, que tem como eixos temáticos a Prevenção ao Suicídio e a Prevenção à Automutilação. Com a meta cumprida, o impacto deve se multiplicar exponencialmente, já que as orientações podem ser utilizadas durante toda a atuação profissional dos participantes.

A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a Fundação Demócrito Rocha e a Universidade Aberta do Nordeste.

CUIDADOS BÁSICOS COM A SAÚDE MENTAL

Com a pandemia, um outro problema pode estar impactando a saúde mental de pessoas de todas as idades: a dificuldade em encontrar atendimento especializado, especialmente processos terapêuticos que prezam pela presença. Por isso, familiares e amigos de pessoas em estado frágil devem estar ainda mais atentos a possíveis sinais de desordens emocionais.

Entre as principais recomendações dos profissionais de saúde, estão a observação da alteração de humor, especialmente quadros de irritabilidade, tristeza e agitação, bem como a validação desses sentimentos e o diálogo constante. Pessoas que apresentam insônia também podem estar passando por algum tipo de adoecimento mental e, por isso, devem investigar mais a fundo as causas desse distúrbio.

Pacientes que passaram por perdas, quadros de Covid-19 e mudanças bruscas na rotina (demissão, interrupção de aulas/projetos e isolamento social, por exemplo) devem ser observados com mais cautela por parentes e amigos – ainda que a distância –, já que o impacto da crise junto a problemas individuais pode causar sérios danos emocionais.

Organizações ligadas aos órgãos de saúde, como as UPAs e o CVV, também têm oferecido suporte gratuito (presencial, por telefone ou online) para pessoas com a saúde mental fragilizada.

(Comiformações/OPovo)

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