/Marketing eleitoral: O poder de uma boa música de campanha. Por Paulo Ermeson

Marketing eleitoral: O poder de uma boa música de campanha. Por Paulo Ermeson

Apelo emocional, melodia agradável, frases pequenas e de fácil memorização. Esta é, resumidamente, a composição principal de um bom jingle político. No campo do marketing eleitoral, o jingle consiste em uma música com propósito político e publicitário, que tem como função principal conseguir apoiadores e conquistar votos.

Essa definição simples não determina totalmente a grandiosidade e a importância que uma boa música de campanha tem na corrida eleitoral. E está errado o candidato que achar que o jingle não influencia na decisão do voto. Quem não lembra do icônico “Lula lá”, parte integrante da música “Sem medo de ser feliz”? Essa foi uma composição criada por Hilton Acioli e Paulo de Tarso para o segundo turno da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, em 1989. Apesar do Lula ter perdido a eleição para Fernando Collor de Mello, até hoje a canção é bastante lembrada, reforçando que o jingle garante espaço na memória afetiva e resiste à passagem do tempo.

Antes de tudo é preciso entender que o jingle faz parte do universo de comunicação integrada do marketing sendo usado para dar “voz” a marca, estabelecendo um diálogo com o consumidor e construindo um relacionamento. Portando, ele não é uma ferramenta somente do marketing político. Na corrida eleitoral, o jingle é uma boa ideia cantada, embalada com textos simples e, com essa simplicidade, se torna inesquecível. Nele, o candidato deve atrair o eleitor pela emoção, mas também não pode deixar de lado, por exemplo, elementos como valores, argumentos racionais, sonoridade, harmonia e o discurso principal da campanha. No jingle “Lula lá” vemos alguns desses elementos atrelados a padrões de identidade com destaque para conceitos emocionais grandiosos de esperança.

Me arrisco a dizer que o bom jingle político deve contar uma história, deve ter um discurso positivo. Sou um admirador das composições do compositor baiano Péri que, aliado a força criativa do também baiano Duda Mendonça criaram verdadeiras obras primas. Exemplos como os jingles de campanhas de sucesso como a do Lula em 2002 (PT), Rosena Sarney (MDB) e Delcídio do Amaral (MDB) reforçam que a música de campanha pode envolver, cativar e conquistar a preferência do eleitor.

Mas como um jingle é construído? O processo de formulação passa, basicamente, por três etapas: Briefing, construção do discurso e letra/música. O jingle nasce primeiramente do briefing que é uma espécie de guia para a construção do discurso. Geralmente nesta etapa, estão expostos análises e diagnósticos do candidato (persona). Depois vem a construção do discurso, utilizando palavras chaves, conceitos, qualidades, demandas existentes na sociedade, etc. Por fim, a letra e a música são elaboradas, sendo a música, o canal que leva o jingle ao coração, é onde todo o conceito é coroado com sonoridade.

Mais do que uma boa letra, o jingle deve ser bem executado. A partir desse momento entra o trabalho das produtoras musicais e dos músicos que dão timbre aquele emaranhado de palavras e rimas. Eles são os responsáveis em fazer a melodia da canção, adicionando instrumentos um a um, criando bases, adicionando vozes e transformando a letra em algo agradável para os ouvidos e emblemático para uma campanha. Não basta ter uma boa letra se não tem uma boa produtora, que é tão importante quanto bons versos. É na produtora que a magia acontece, são eles os responsáveis em dar vida e sentido ao jingle. Portanto, é válido investir bem na produção musical.

Por fim, é muito importante salientar que o jingle deve estar sincronizado com as demais áreas do marketing da campanha eleitoral, seja na criação de vídeos, programas de rádio, ringtones para celular, redes sociais, etc. Ele é o papel que embala o presente, é a música que a criança vai cantar, é o sentimento de todo um povo.

Portanto, a conjugação da música com as demais peças de uma campanha devem priorizar a coesão para alcançar a persuasão. O serviço de construção do jingle político, portanto, não nasce do acaso, mas sim da união de um trabalho muito bem elaborado que consagre ligações entre as aspirações e demandas do eleitor com sua cadeia de significações, despertando principalmente a resposta tão esperada: A conquista do voto.

*Paulo Ermeson é consultor em marketing político e institucional, já atuou em várias campanhas eleitorais no Ceará. É formado em História pelo INTA e estuda Marketing na Faculdade Maurício de Nassau.

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