/“Moro, Valeixo sai esta semana. Está decidido”, escreveu Bolsonaro em mensagem ao então ministro; antes da famosa reunião ministerial

“Moro, Valeixo sai esta semana. Está decidido”, escreveu Bolsonaro em mensagem ao então ministro; antes da famosa reunião ministerial

Mensagens trocadas entre Jair Bolsoanro (sem partido) e o então ministro da Justiça, Sérgio Moro, evidencia que o presidente falava da Polícia Federal, e não da sua segurança pessoal, quando exigiu às substituições nessa área na famosa reunião ministerial do dia 22 de abril.

A cronologia de oito diálogos aos quais o Jornal Estado de São Paulo teve acesso mostra que, três horas antes da reunião, Bolsonaro havia comunicado a Moro que o então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, seria demitido, sem dar ao seu ministro qualquer alternativa de argumentação no caso.

As oito mensagens inéditas trocadas por WhatsApp obtidas pelo Estadão constam do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra seus filhos e amigos, como acusou Moro.

A famosa reunião ministerial é uma das provas anexadas ao inquérito, que tem como relator o ministro do STF Celso de Mello. Foi o magistrado quem autorizou a divulgação do vídeo com o conteúdo da reunião, na última sexta-feira (22/05).

Na sequência de mensagens Jair Bolsonaro dá o veredicto: “Moro, o Valeixo sai nessa semana.” e prossegue,  “Isto está decidido”, em outro momento ele dá ao então ex-ministro a possibilidade de apenas escolher a forma da demissão de Valeixo. ” Você pode dizer apenas a forma” e finaliza, ” a pedido ou ex ofício”, escreve o presidente Jair Bolsonaro.

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Bolsonaro disse que o encontro do dia 22 de abril não comprova que ele atuou para blindar seus parentes. Repetiu, ainda, que falou em trocar a sua “segurança” no Rio, e não o comando da Polícia Federal. As novas mensagens reveladas, contudo, mostram que ele chegou à reunião com a decisão já tomada de demitir o diretor-geral da PF. Na sequência de mensagens Moro diz, “Presidente sobre esse assunto precisamos conversar pessoalmente, estou ah disposição para tanto.”

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Resposta de Moro a Bolsonaro Foto: Reprodução

A reportagem revela que o Jornal procurou a Secretaria Especial de Comunicação (Secom) para falar sobre as mensagens, mas o Planalto informou que não iria comentar. A defesa de Moro disse que “as declarações do presidente da República demonstram, de maneira inquestionável, sua vontade de interferir indevidamente” na Polícia Federal. “Esses elementos probatórios somam-se às demais diligências investigatórias, inclusive ao vídeo da reunião de 22 de abril, comprovando as afirmações do ex-ministro Sérgio Moro”, afirmou o advogado Rodrigo Rios..

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