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Dos quatro pilares de sustentação de Bolsonaro só um se mantém inabalável

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se elegeu com uma agenda antipetista e anticorrupção que foi impulsionada pela operação Lava Jato. Outro ponto fundamental de sua campanha foi o sentimento de implantação de uma agenda conservadora no País. O apoio dos grandes conglomerados econômicos ávidos por uma agenda liberal tocada por Paulo Guedes também contribuiu para o fortalecimento da campanha e consequentemente a chegada de Bolsonaro a presidência da República. Só um dos pilares ainda permanece inabalável.

Uma das colunas de sustentação mais importantes da agenda de campanha de Jair Bolsonaro, o combate a corrupção, perde força com a saída do ex-ministro Sérgio Moro, não que ele tenha feito campanha ou rendido milhares de votos para o capitão chegar ao Palácio do Planalto. Os apoiadores de Bolsonaro tem razão quando dizem que quando votaram em Bolsoanro não existia, Sérgio Moro, ocorre que a simbologia do lavatismo foi mais forte do que seus apoiadores imaginam. Com a saída de Moro, não há dúvidas de que um dos principais pilares do presidente ruiu, gostem ou não do ex-ministro da Justiça.

No Brasil de hoje, com o avanço cada vez maior da pandemia, não existe espaço para defesa do pilar da agenda conservadora. Menino veste azul, menina veste rosa, escola sem partido, a defesa intransigente de valores conservadores, são temas que não fazem frente aos valores da defesa da vida, que se tornaram prioritários frente a esta pandemia. O fechamento veio com a atrapalhada entrevista da secretaria nacional de Cultura, Regina Duarte, que provocou uma cizânia ainda maior entre a classe, a secretária e o governo.

Bolsonaro jogou todas as fichas no pilar maior de sustentação de seu governo, o “posto Ipiranga”, Paulo Guedes, que previu um crescimento econômico no primeiro ano acima de 2%, veio apenas 1%. As expectativas então se voltaram para o segundo ano, do avanço da economia e da geração de emprego e renda. Eis que surge uma pedra no meio do caminho, mas não era um pedra qualquer, tratava-se de uma rocha de tamanho inimaginável, a pandemia do coronavírus. Todas as previsões de crescimento econômico para 2020 apontam para números negativos, acima de 5%, caso se confirme essas previsões teremos um aumento muito maior no número de desempregados que já é gigantesco. A crise econômica se apresenta como o mais duro golpe no governo Bolsonaro.

Assim, o presidente assiste ruir os três pilares mais importantes de sua agenda política que o ajudaram a chegar a presidência da República, o lavatismo, o conservadorismo cultural e o crescimento econômico, todos levados pela avalanche dos efeitos da pandemia do novo coronavírus. Só um pilar permanece inabalável no governo de Jair Bolsonaro, da campanha até os dias atuais, a teimosia.

(Reginaldo Silva, Ceará Noticias)

 

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