/Entenda a relação entre tabagismo e os grupos de risco da Covid-19

Entenda a relação entre tabagismo e os grupos de risco da Covid-19

O cigarro está associado a uma série de doenças do trato respiratório, cardiovasculares e é relacionado também a alguns tipos de câncer. Com base em estudos feitos na China sobre o novo coronavírus, a covid-19, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou uma nota técnica, alertando para os riscos de agravamento da doença em pacientes com histórico de tabagismo, que foram 14 vezes maiores do que em pessoas que não fumavam. Na última década, houve redução de 40% no número de fumantes no Brasil e há mudança no perfil dos tabagistas ao longo dos anos, mas o problema ainda preocupa as autoridades de saúde. 

Fumantes e pessoas que têm doenças pulmonares, como asma e bronquite crônica, descompensadas devem redobrar os cuidados e respeitar as recomendações de isolamento social, seguir as orientações de higiene básica e tentar melhorar os hábitos do dia a dia, buscando ter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos e evitar o estresse.

As respostas têm como base entrevistas com Liz Almeida, chefe de prevenção e vigilância do Instituto Nacional de Câncer (Inca); Rodrigo Lima, diretor de exercício profissional da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), e Silvio Cardenuto, pneumologista e médico do pronto-socorro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e também reportagens do Estado.

O grupo é um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia do novo coronavírus na rede social. Qualquer usuário pode se inscrever e enviar suas dúvidas.

Aqueles que fumam têm mais chances de ter complicações se tiver o novo coronavírus?

O cigarro está relacionado a doenças no sistema respiratório, como enfisema pulmonar e bronquite crônica, e também diminui a imunidade. O novo coronavírus compromete a parte respiratória, principalmente nos pacientes que apresentam quadros de pneumonia, e o agravamento pode ser maior em pacientes que já têm a função comprometida.

O cigarro eletrônico causa menos danos que o tradicional?

Não. O cigarro eletrônico deixa o paciente tão vulnerável a complicações quanto o tradicional e também causa danos à saúde. As substâncias usadas nesse tipo de dispositivo podem ter ação inflamatória.

Fumo narguilé. Também posso ter mais complicações se tiver o novo coronavírus?

Além dos danos no trato respiratório, o narguilé tem agravante por ser um objeto compartilhado e a doença é transmitida por gotículas, além de seu uso ser feito em situações de aglomeração. As pessoas devem evitar o compartilhamento de objetos.

Minha ansiedade aumentou com o isolamento e sinto mais vontade de fumar. Como devo proceder?

O ideal seria aproveitar este momento de mudança de hábitos para parar de fumar. No entanto, não é fácil. A pessoa pode buscar apoio, mesmo que virtualmente, de parentes e amigos. Também é possível ter apoio emocional em plataformas virtuais com especialistas. Fazer atividades físicas, ler, meditar e buscar outras atividades também pode ajudar a controlar a ansiedade.

Decidi para de fumar por medo do coronavírus. O que devo fazer?

Os primeiros 15 dias são os mais difíceis e a recomendação é buscar manter a parte emocional equilibrada e desenvolver outras atividades.

Tive doenças pulmonares na infância. Estou no grupo de risco?

Depende das sequelas que ficaram da doença. Caso a pessoa tenha se recuperado, é possível que não tenha predisposição maior para desenvolver as formas graves do novo coronavírus.

Pacientes com doenças pulmonares, como asma, bronquite crônica e enfisema pulmonar, fazem parte do grupo de risco?

Se a doença estiver descompensada, é importante que o paciente tome mais cuidados. Ele deve manter as medicações de rotina, ter hábitos saudáveis e seguir as orientações de higiene e de isolamento social.

Devo fazer exercícios respiratórios para melhorar minha função pulmonar?

Eles não vão ajudar a prevenir a doença e costumam ser recomendados por fisioterapeutas para pacientes acamados e no tratamento de doenças crônicas preexistentes, como enfisema pulmonar. Para melhorar a capacidade respiratória de um modo geral – e isso vale para qualquer um –, as pessoas podem fazer exercícios aeróbicos, como pular corda e fazer polichinelo. /AE

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