/A tragédia do Museu Nacional: 90% do acervo está perdido

A tragédia do Museu Nacional: 90% do acervo está perdido

Não havia porta anti-incêndio nem sprinklers. Os detectores de fumaça não funcionaram. A água nos hidrantes não era suficiente. Não havia seguro contra incêndio e o acervo não estava segurado. E as verbas de manutenção caem há anos. Foi assim que se perdeu no incêndio deste domingo (02/09) 90% do acervo do Museu Nacional, no Rio.

“Sobrou talvez uns 10%”, estimou a vice-diretora do Museu Nacional, Cristiana Serejo. Segundo ela, só a reconstrução do prédio custará R$ 15 milhões. “A gente estava preocupado com incêndios. Tivemos problemas de falta de verba e burocrática”, lamentou. “A culpa é de todos. A gente fica com muita raiva.” Cristiana relatou que não tem informações sobre a principal peça da instituição, o fóssil de Luzia, o mais antigo das Américas. O crânio ficava em uma caixa não localizada.

O incêndio de grandes proporções começou por volta das 19h30 deste domingo e durou até por volta das 2 horas desta segunda-feira (03/09). Segundo o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, há duas possibilidades em investigação: queda de um balão ou curto-circuito. “Parece que o fogo começou por cima, no alto, e foi descendo. O Museu Nacional já estava fechado (na hora do fogo), a brigada de incêndio não estava mais lá e os vigias demoraram a perceber o incêndio.” 

Foi quando um grupo de funcionários decidiu entrar no prédio em chamas para tentar salvar o que fosse possível do acervo de 20 milhões de itens. Segundo relatos, de 30 a 40 servidores – incluindo aposentados e o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher – se deslocaram até o museu, ao saber do incêndio pelas redes sociais. O biólogo Paulo Buckup ficou das 20h30 até 22 horas na parte traseira do prédio, até ser retirado por bombeiros. “Os funcionários foram heróis. Estávamos pensando nos nossos ancestrais pesquisadores. O que salvamos vai permitir a continuidade de pesquisas de colegas. Na hora só pensei que ali estavam a minha vida e a de colegas”, lamentou Buckup, que pesquisa evolução de peixes./AE

Comente com Facebook