/Temer diz que Marcela Temer não quer que ele seja candidato em 2018.

Temer diz que Marcela Temer não quer que ele seja candidato em 2018.

O presidente Michel Temer disse, nesta sexta-feira, que ainda é “muito prematuro” pensar no quadro de candidatos para o pleito de 2018. A afirmação foi feita sobre a possível candidatura do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, à presidência da República.

— Esse assunto é para junho de 2018. Claro que a figura do Meirelles é uma figura preciosa. Ele faz um trabalho excepcional no meu governo e tem qualificações para ocupar qualquer cargo no país. Mas ainda é muito prematuro pensarmos nesse assunto — afirmou durante entrevista à Rádio Bandeirantes.

 Durante a entrevista, aos risos, Temer confessou que se depender da esposa, Marcela Temer, não será candidato à reeleição em 2018.

— Ela quer sossego, quer paz. Se eu perguntar para ela, ela não vai querer. E eu mesmo sou candidato a fazer um bom governo, isso sim. Quero entregar o Brasil nos trilhos em 2019 para aquele que venha me suceder.

Já em relação a alianças previstas entre o MDB e o ex-presidente Lula em alguns estados – principalmente no Norte e no Nordeste, o peemedebista foi enfático:

— Tudo o que se falar hoje pode não valer em março, abril, maio do ano que vem.

Questionado sobre a possibilidade de acabar com o voto obrigatório no Brasil, Temer disse que foi contra essa alternativa durante muito tempo. Entretanto, reconhece que diante de uma consciência participativa maior do eleitor, o assunto poderia voltar a ser debatido.

— Hoje eu tenho a impressão de que há uma consciência de participação do eleitorado que, mesmo se o voto não for mais obrigatório, ele (eleitor) naturalmente vai às urnas para escolher seus representantes.

O jornalista Cláudio Humberto também indagou o presidente sobre a eliminação dos tribunais eleitorais. Fato que foi rejeitado pelo presidente.

 — No momento eu não acho útil eliminar. Não vejo razão. Acho até que o tribunal, de alguma maneira, desafoga a Justiça comum. A extinção pode tornar ainda mais trabalhosa a atividade da Justiça comum.

Também esteve na pauta da entrevista o sistema de semipresidencialismo, questão muito debatida nos últimos meses principalmente entre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Gilmar Mendes.

Temer reconheceu que já governa exercendo um modelo de semipresidencialismo. O presidente destacou que um dos destaques do seu governo foi a aproximação do Executivo com o Legislativo. Para o peemedebista, essa foi a fórmula que fez com que “feitos muito enaltecedores” fossem concretizados ainda no seu governo.

— Veja que eu, desde o primeiro momento, trouxe o Legislativo para governar com o Executivo. Chegamos até aqui nesses feitos muito enaltecedores graças ao apoio do Congresso. Tenho muita simpatia por esse sistema. Tem uma vantagem: evita as crises sucessivas que temos tido no presidencialismo — ponderou.

— Mas sou a favor de colocá-la em discussão para 2022. Não daria para aplicar neste momento — acrescentou.

O presidente Michel Temer, mais uma vez, negou saber de qualquer tratativa entre a Boeing e a Embraer. Apesar de destacar que o país deve “sentir-se lisonjeado” com o interesse da empresa norte-americana.

– Sentir-se lisonjeado, deve sentir-se. É porque a Embraer faz muito sucesso não só no plano interno, como no externo. Mas eu realmente não tive acesso a essas tratativas. O assunto está ali no âmbito das conversas do Ministério da Defesa e da Aeronáutica, mas não tenho conhecimento sobre isso.

O presidente também diz ter sido “vítima de uma urdidura muito conspiratória” em maio deste ano, quando foram divulgados os áudios de conversa entre ele e o empresário Joesley Batista, um dos executivos do Grupo J&F. O peemedebista admitiu que o episódio “agrediu demais” os membros de sua família.

— Enfrentei uma luta que não foi política, mas de natureza moral. Nos episódios do mês de maio em que fui vítima de uma urdidura muito conspiratória, desde os primeiros instantes eu disse a verdade que eu estava observando. E todos aqueles que me acusaram, ou estão presos, ou desmoralizados — ressaltou.

 À época, o presidente Michel Temer foi gravado em um diálogo embaraçoso. Diante de Joesley, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley.

Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: “Tem que manter isso, viu?”. Em nota, Temer disse que “jamais” solicitou pagamentos para obter o silêncio de Cunha e negou ter participado ou autorizado “qualquer movimento” para evitar delação do correligionário.

— Eu resisti para que aqueles que me acusaram fossem desmascarados. Não foi fácil. Todos (familiares) se angustiaram muito com isso. Mas estavam amparados pela verdade. Eles me deram muita força. Todos disseram: ‘Você tem que resistir’. Mas na intimidade sofreram muito em face da injustiça que acabei de apontar.

(NBO)

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