/PSDB, de partido a apêndice. Por Pedro Luiz Rodrigues

PSDB, de partido a apêndice. Por Pedro Luiz Rodrigues

Há 30 anos, em 1987, o PMDB – principal partido de um Brasil que se redemocratizava – passou por etapa de fortes tensões internas, fruto de desencontros fundamentais entre duas de suas principais facções sobre o modo de se praticar a política.

Essas tensões cresceram com a Constituinte (março de 1987 a outubro de 1988), em razão de desavenças entre o pragmatismo clientelista do grupo capitaneado pelo então governador de São Paulo, Orestes Quércia, e o idealismo, reformista e republicano, de grupo dissidente.

Dos dissidentes faziam parte, entre outros, Mário Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon e Álvaro Dias. Um de seus integrantes, o senador gaúcho José Fogaça, chegou a definir o PMDB como um “antipartido, amorfo e indefinido”.

Agravaram as tensões entre as duas alas um desentendimento tópico, sobre se os candidatos do partido deveriam ser escolhidos por eleições primárias, ou não.

A situação se resolveria em junho de 1988, quando os dissidentes saíram do PMDB para formar o PSDB. “Longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas, nasce o novo partido”, foi a frase de Franco Montoro ao apresentar o PSDB à população, em seu programa fundador.

O novo partido teve momentos de glória, tendo participado ativamente dos mais importantes momentos da democracia brasileira, e sido responsável por algumas das maiores conquistas econômicas e sociais do país.

Em 1994, como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso foi responsável pelo único plano que efetivamente conseguiu debelar a hiperinflação e a crise cambial.

Quando comemorou seus 29 anos de existência, no ano passado, o partido recordou que suas contribuições para o País não cessaram  após sua saída do Poder, em 2003: “Como oposição, a legenda defendeu de forma ferrenha os valores da social democracia, maculados por sucessivos escândalos de corrupção durante as gestões dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, sendo os maiores deles o mensalão e o petrolão. Ao lado dos brasileiros que saíram às ruas contra a corrupção, a sigla reivindicou o impeachment da ex-presidente cassada Dilma Rousseff, uma vez que o crime de responsabilidade cometido pelo governo petista ficou comprovado pela Justiça”.” Por compromisso com os brasileiros, o PSDB também tomou as rédeas de importantes reformas que não foram realizadas pelo PT, como a modernização da lei trabalhista, as reformas política e da Previdência. Segue mantendo os ideais de sua fundação, longe das benesses do poder e perto do pulsar das ruas”.

Hoje, lamentavelmente, o PSDB não passa de uma caricatura do que já foi no passado.  Seus líderes não lideram ninguém, e cada qual de seus membros faz o que bem lhe apetece, sem considerar os interesses da agremiação.  Os princípios éticos foram para o beleléu, com o envolvimento de alguns de seus próceres em casos de corrupção, alguns com gravação de cenas e diálogos repulsivos.

O que se vê é que passados 30 anos, o PSDB assume cada vez mais a cara pragmática e clientelista do PMDB do qual se separou. O idealismo da social-democracia está seguindo para a lata de lixo. A história do partido virou uma historieta qualquer. O lema “longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas” não passa hoje de uma piada.

Está certo o Chanceler, que disse ontem que quem define se o PSDB é parte ou não da base do governo não é o próprio Partido, é o Presidente Michel Temer. Ou seja, de partido ou PSDB virou apêndice.
Pedro Luiz Rodrigues é jornalista, com atuação nos mais importantes veículos de comunicação do País, e diplomata.

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